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Aborto clandestino mata muitas mulheres no Brasil

Estudo divulgado em 2007 pela Federação Internacional de Planejamento Familiar demonstrou que 70 mil mulheres morrem a cada ano por causa de complicações decorrentes de abortos. Mulheres brasileiras integram a estimativa.

27/03/2008 12:57:30

Estudo divulgado em 2007 pela Federação Internacional de Planejamento Familiar demonstrou que 70 mil mulheres morrem a cada ano por causa de complicações decorrentes de abortos. Segundo a federação, nenhuma dessas mortes ocorreu em países onde o aborto é legalizado.

De fato, os especialistas podem enumerar diversas conseqüências que a prática do aborto ilegal, sem a utilização de métodos seguros e as devidas condições de higiene, podem causar na saúde das mulheres e, também, dos futuros bebês, nos casos em que o procedimento não é bem sucedido.

No Brasil, diante da ilegalidade da prática do aborto, que está tipificado como crime no Código Penal, muitas mulheres que querem interromper a gravidez precisam recorrer a procedimentos perigosos, como a utilização de remédios abortivos sem o devido acompanhamento médico, ou a internação em clínicas ilegais que não seguem mínimos padrões de assepsia e higienização de materiais cirúrgicos.

A ginecologista e obstetra Michele Chintia Rodrigues de Sousa, da Med Imagem, destaca as várias complicações que a prática do aborto nessas condições pode causar para a mulher. Segundo a médica, os maiores riscos são de hemorragia e infecção. Ambas podem levar à morte.

?Muitas mulheres utilizam remédios para conseguir o aborto, mas nesse processo só perdem parte do feto. O restante permanece dentro do organismo da paciente, o que gera o risco de grave hemorragia?, destaca Michele Chintia.

Já as infecções, geralmente, são causadas por microorganismos presentes nos materiais que as clínicas clandestinas costumam utilizar para realização do aborto. Muitas vezes, não há qualquer esterilização dos equipamentos usados durante o procedimento e as pacientes ficam vulneráveis ao risco de uma infecção generalizada.

A situação se agrava ainda mais porque o medo de assumir a prática do aborto, considerado um crime, faz com que muitas mulheres que sofrem complicações após o procedimento demorem a procurar um médico.  ?Muitas dessas mulheres já chegam ao ginecologista com quadro de infecção grave, em estágio avançado?, afirma Michele Chintia.

Mesmo quando sobrevivem às complicações decorrentes do aborto realizado em condições precárias, essas mulheres ainda correm o risco de sofrer com a incapacidade de gerar futuros filhos.  ?A curetagem, para retirada de partes do feto que permaneceram no organismo da paciente após um aborto incompleto, exige a dilatação do colo do útero. Um colo do útero muito dilatado pode não suportar uma nova gravidez e pode ser causa de abortos espontâneos em futuras gestações?, explica a ginecologista.

Quando existe apenas a tentativa de aborto, mas a gestação permanece, o futuro bebê pode ser afetado. Malformações físicas e dificuldades psico-motoras são as principais conseqüências apontadas pelos médicos.

Aborto no Brasil

Mesmo com todos os riscos, inúmeras brasileiras se submetem ao aborto ilegal, em condições totalmente precárias. Em razão disso, no ano passado o Governo Federal anunciou que começaria a tratar o aborto como uma questão de saúde pública. Campanhas de conscientização sobre métodos contraceptivos fazem parte desse trabalho que visa prevenir a ocorrência da gravidez indesejada.

O Ministério da Saúde adotou uma postura em prol do debate acerca da descriminalização do aborto. O ministro da Saúde José Gomes Temporão afirmou para a imprensa que o aborto é uma tendência mundial e que a população brasileira deverá decidir se quer ou não flexibilizar o artigo do Código Penal que trata sobre o tema.

A proibição legal não tem impedido que em torno de 1,1 milhão de abortos clandestinos sejam realizados por ano no Brasil, segundo dados de uma ONG norte-americana. De acordo com a legislação brasileira atual, além das consequências fisícas e psicológicas do procedimento clandestino, cada uma dessas mulheres deveria ser submetida a uma pena de detenção que pode variar entre 1 e 3 anos.

Métodos contraceptivos

Afora a discussão acerca da descriminalização do aborto, Ministério da Saúde, médicos e ONG´s concordam que a informação, educação e propagação de métodos contraceptivos são as principais formas de prevenção à gravidez indesejada e ao aborto clandestino e suas complicações.

?As pessoas precisam conhecer os métodos de contracepção, não apenas conhecer, mas entender como eles funcionam, ter contato com a pílula, o DIU, a camisinha e aprender a utiliza-los?, destaca a ginecologista Michele Chintia.

Para a médica, ainda é necessário um grande esforço do Governo Federal para atingir as camadas mais humildes da população com essas informações acerca da contracepção. ?Educação é a base desse processo. Também seria necessário aumentar bastante a oferta de métodos contraceptivos no Sistema Único de Saúde?, destaca. 

Clarissa Poty
27.03.2008

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