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Todos os dias parecem iguais? 6 dicas para reduzir essa sensação

Sair do automáticos é uma das dicas importantes para ão se

23/04/2020 10:21:00
Imagem: iStock

Se você tem trinta anos ou mais provavelmente já teve ter assistido ao filme "Feitiço do Tempo", uma comédia que retrata um jornalista que vai fazer a cobertura, a contragosto, de uma festa comum em algumas cidades americanas e canadenses que é o Dia da Marmota. De acordo com a crença local, o comportamento do animal diz como será o inverno. Para surpresa e desespero do jornalista, no dia seguinte após a festa, tudo se repete como no dia anterior. E no dia seguinte novamente, até que ele percebe se está preso em um looping temporal. Alguma semelhança com a sua rotina devido a quarentena?

Estar em casa por uma imposição externa e não por vontade própria pode nos deixar confusos, perdidos, com humor volátil e imprevisível. Além dos medos que sentimos por toda a situação, nos confrontamos com diversas perdas: a pior delas é a perda do mundo externo, que se afasta de nós. O que era banal até um mês atrás, some das nossas vistas.

Alimentamos a ilusão de que o mundo existe automaticamente, sem nos darmos conta de que somos nós os agentes de escolhas, de horários, atividades e laços sociais. Por isso, VivaBem conversou com alguns especialistas em saúde mental para nos ajudar a passar esses dias de isolamento sem que tenhamos a noção de estarmos presos no tempo.

1. Mantenha-se no controle

Criarmos uma rotina prazerosa é um de nossos principais desafios diante da nova realidade que nos circunda e envolve: horas de sono necessárias, distribuição do tempo entre trabalho, lazer, atividades físicas, conversas, arrumação da casa, etc. E considerarmos o entorno que passa a ser nossa nova realidade de isolamento, que inclui espaço, tempo e pessoas. Pessoas, no caso de quem mora com a família, que sempre estiveram no mesmo território geográfico, mas não necessariamente no mesmo território psíquico, numa espécie de isolamento já praticado, antes do Covid-19.

Muitos estão sofrendo não de isolamento, mas de convívio cotidiano e difícil com os habitantes da casa. Novos pactos precisam ser verbalizados e construídos, para propiciar uma melhor convivência com nossos familiares, às vezes nem tão familiares assim.

Seja qual for a situação, o importante é que você consiga manter o controle do seu tempo, das suas atividades e agenda. Você pode escolher se dedica um tempo a assistir TV ou ler um livro, por exemplo. Se vai estudar um idioma ou praticar um exercício. Seja qual for o seu dilema, organize-se. Isso vai ajudar na sensação de que os dias são iguais e nada muda e ainda pode te ajudar a realizar atividades que antes não fazia, assim como o personagem do filme, que após perceber que não tem jeito, passa a aproveitar o tempo de forma produtiva, ajudando a si mesmo e as pessoas a sua volta.

2. Divida as tarefas

Caso você more com mais pessoas, uma dica para não cair em uma rotina é dividir as tarefas da casa em forma de rodízio. Cada dia uma pessoa é responsável por realizar uma tarefa diferente. Casais com filhos podem alterar atividades de higiene com educação.
Não somente o desafio de dividir as tarefas, mas a convivência intensa entre os membros da casa podem ser um ótimo exercício para praticar a tolerância e a paciência.

3. Concentre-se no que te faz bem

Com a distância física de outros espaços e outras pessoas, o nosso mundo interno ganha maior importância, o que nem sempre é agradável. Na melhor das hipóteses, o tempo livre pode ser comemorado e preenchido com atividades prazerosas; na pior, o tédio pode chegar em forma disforme, assombrando nossos dias e tornando o tempo um fardo, sem nenhum prazer. Cabe lembrar que o tédio não é fruto do isolamento: ele pode nos inundar e bloquear nossa criatividade mesmo quando somos muito estimulados. Então, concentrar-se em atividades que te fazem bem minimiza as possibilidades de negatividade como o tédio, o pessimismo e sentimentos como angústia e tristeza.

4. Reflita sobre o que te move

Somos seres simbólicos que sonhamos, desejamos, temos memória e acervos internos. O que pode nos salvar diante de momentos catastróficos como o atual é o desejo de saber, que nos move em direção a buscas, construção de sentidos, de laços sociais. O momento atual pode ser encarado como um convite a visitar o nosso acervo interno, o infantil que todos carregamos, onde o sonho, o lúdico, a fantasia, tem mais valor do que a produtividade e a racionalidade.

Mas atenção: o desejo de saber, que expande nosso acervo, precisa ser revestido de cuidados: do mesmo modo que a angústia pede serenidade, podemos embarcar num caminho de consumo, de alimentos, informações, notícias, e passamos do tédio ao enjoo, à saturação, que também nos distancia do bem-estar.

5. Questione-se

Algumas questões podem movimentar nossa vitalidade e nos tirar do tédio, do marasmo, da angústia sem nome:

- O que é fundamental hoje?
- Como pretendo usar as horas do meu dia?
- O que gostaria de fazer, agora que tenho tempo livre?
- O que já vinha me incomodando, antes do isolamento?
- Como entendo minha mudança de humor?
- O convívio social tem me feito bem?
- Por que ter pressa?
- Sou uma pessoa curiosa? o que me move?
- Quais meus medos? com quem gostaria de falar deles, me abrir?

Outras questões podem surgir, e todas elas nos convocam a encarar esse isolamento e propor um contato com nosso mundo interno, complexo, habitado por sonhos e pesadelos, fantasmas, fantasias e laços sociais.

Fonte: UOL
Edição: C.S. 

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