Publicado em: 05/12/2007
Separação menos dolorosa
O divórcio traz diversas mudanças para a criança como um novo parceiro para mãe, outro lar para ficar com o pai e até um irmãozinho. Veja como lidar com seu filho diante dessas situações e poupá-lo de traumas.
O número de casos de divórcio no Brasil nunca foi tão alto. Em 1990, as estatísticas do Registro Civil apresentavam uma média de 0,9 divórcio por mil pessoas, e agora o índice é de 1,3 por mil pessoas. Aliado a isso, a quantidade de casamentos em que um dos parceiros ou ambos eram divorciados também aumentou, correspondendo a 14,1% das uniões realizadas em 2005. Assim, além de se tornar comum encontrar pais separados, a multiplicação das famílias com segundos casamentos também é algo cada vez mais comum.
Infelizmente, em muitos casos, o fim do casamento não acontece de forma amigável e os parceiros deixam de respeitar os limites e passam a criar situações conflituosas. Essa perda de unidade familiar gera traumas para os filhos. Para as crianças novinhas, a situação é ainda mais difícil, pois não conseguem entender por que o pai e a mãe não ficarão mais juntos.
Angústias e apreensão
Por mais que os pais tentem disfarçar, o clima de tensão que impera no lar antes do divórcio é percebido pela criança. Mesmo sem ter presenciado uma briga, o pequeno sente a angústia, vê a fisionomia dos pais e percebe que a tolerância e a paciência estão reduzidas.
Muitos expressam o que sentem com choro ou até com sintomas físicos como febre, taquicardia. Quando não se diz nada, o pequeno interpreta do jeito que quiser – pode se culpar e achar que os pais estão se divorciando por não gostarem dele. Surge o medo de ser abandonado e a criança pode se fechar para o convívio social, tornando-se agressiva. As marcas desta experiência persistirão por toda a vida e influenciarão nos futuros relacionamentos da criança.
Evitando os traumas
A forma como ela irá reagir diante da separação depende de como o processo é conduzido pelos pais. Quando se fala sempre a verdade de acordo com que ela pode compreender os traumas serão bem menores. Manter o contato próximo e não jogar a raiva na relação com o filho é essencial para o bem-estar dele. Veja como agir com a criança durante uma separação:
Quando o pai sai de casa
Algo muito importante no processo da separação é que seja feito de forma gradual, incluindo o pequeno na construção da nova situação. O pai pode levá-lo para conhecer o apartamento para o qual vai mudar e deixar que ele escolha seu quarto, por exemplo.
E sempre que puder, deve-se manter os rituais de antes da separação, como colocar a criança para dormir e levá-la para a escola. A mãe, por sua vez, deve explicar que o pai vai morar em outro lugar mas deixar claro que o pequeno poderá vê-lo sempre que quiser. É fundamental cumprir o prometido. Além disso, é essencial que nenhum dos lados procure evitar ou dificultar o contato da criança com o outro.
Perguntas em relação à separação
As especialistas acreditam que qualquer situação pode ser explicada para os pequenos desde que os pais consigam traduzir para uma linguagem compatível com a sua idade. É importante que ela não tenha medo de fazer perguntas para os pais e que estes não mintam. Apesar de ser mais fácil para o adulto inventar uma desculpa, isso pode comprometer emocionalmente a criança porque ela consegue perceber. Para especialistas, quando existe uma abertura para perguntas e para o diálogo, os pais conseguem saber quais são as fantasias dos filhos e garantir apoio e proteção.
Conhecer o novo namorado da mãe
Os pais não devem apenas se preocupar com o número de relacionamentos que terão, mas também tomar cuidado para não incluir o filho em uma relação que pode ainda ser instável e inicial. A criança acaba criando um vínculo com o novo parceiro do pai ou da mãe. Se a relação termina e essa pessoa some, o pequeno acaba sofrendo.
Novo casamento de um dos pais
Tanto o pai quanto a mãe podem se casar novamente após a separação. Antes de mais nada, é preciso explicar a situação para o pequeno. Deve ser falado que ela (ou ele) encontrou outra pessoa com quem se dá melhor do que com o antigo parceiro. E, principalmente, esclarecer que o lugar de filho é garantido e nunca será ameaçado por outra pessoa.
A chegada do irmão do novo casamento
Em qualquer situação a chegada de um irmãozinho gera ansiedade e medo de perder o lugar. Se esse bebê for filho de um dos pais com outro parceiro, a situação fica ainda mais complicada na cabeça da criança. Imagine o caso de alguém que more com a mãe e ganha um irmãozinho filho do seu pai. Será difícil entender que o novo bebê pode morar com seu pai e ele não.
Para resolver isso é preciso fazer com que a criança entenda a chegada de um novo irmão como um ganho e não uma perda. É uma outra família da qual também faz parte. Da mesma forma, a casa desta nova família deve ser encarada como dela também.
Desentendimentos com a madrasta
Um novo parceiro não consegue conviver harmoniosamente com a criança é um problema sério. Se essa pessoa não está preparada para receber um filho que não é dela, a dor é muito grande para o pequeno. É uma rejeição de alguém que é importante para o pai ou para a mãe.
E, em geral, começa uma disputa injusta e que irá atrapalhar bastante o relacionamento para ambos os lados. Em vez de o processo ser harmonioso, o novo parceiro terá atitudes que só confirmarão a rejeição. Isso torna-se fonte de ansiedade e conflito e vai contra a tentativa de amenizar a dor, aumentando as chances de ter uma criança emocionalmente instável, insegura e com raiva do mundo.
O ideal, então, é que o novo companheiro esteja preparado para aceitar a nova concepção de vida e o fato de que está entrando em uma família que já existe, em que ele é o novo elemento. Se o pai ou a mãe percebem que isso será impossível, deve ter maturidade para avaliar se a nova relação vale a pena ou não.
Raiva com relação a um dos pais
Deve ficar bem claro desde o princípio que ambos os pais não devem menosprezar, xingar ou fazer comentários negativos para a criança em relação ao ex-parceiro. Isso vale inclusive para os casos em que o pai (ou mesmo a mãe) não teve um comportamento adequado com o filho durante a separação. Não cabe idealizar, nem desconstruir a imagem do outro. Caso o ex-marido não seja um bom pai, a criança por si só vai perceber isso quando estiver preparada.
No entanto, caso o pai não demonstre interesse em ver a criança, a mãe deve explicar que a culpa não é do pequeno e que não há problemas em sentir mágoa. Neste caso, a especialista sugere que a criança tenha algum vínculo com outra figura masculina, como um avô, tio ou padrinho. Esta pessoa não vai ocupar o lugar do pai, mas vai transmitir segurança e mostrar que nem todas as figuras masculinas são negativas.
Fonte: Meu Nenê
Edição: F.C.
05.12.2007
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