Publicado em: 31/10/2007
O que interessa quando a criança está aprendendo a caminhar
Depois de engatinhar durante algumas semanas, finalmente o pequeno se apoia em algum móvel da casa e levanta. Em pouco tempo, de uma forma desajeitada e ainda apoiado, começa a andar em direção ao seu brinquedo preferido ou da mamãe. Isso é suficiente para os pais fazerem festa. Mas o orgulho será ainda maior quando, dali mais algumas semanas, ele criar coragem para andar sem qualquer apoio e começar a “bater perna” pela casa.
O primeiro passo é um dos episódios da vida do bebê mais esperado pelos pais. No entanto, ele pode não acontecer exatamente conforme a história acima ou na mesma idade para todas as crianças – alguns demoram um pouco mais, outros podem pular a etapa do engatinhar, por exemplo. Para acabar de vez com a ansiedade e as dúvidas que rondam esta fase, veja o que realmente deve ser levado em conta ou não neste momento.
Não existe uma data correta para o bebê começar a andar.
VERDADEIRO. Cada criança tem seu tempo para iniciar os passinhos, que pode variar dos nove meses até 1 ano e meio. No começo, eles mantêm as pernas mais abertas a fim de encontrar o equilíbrio para ficar em pé. “Só é necessário se preocupar quando o bebê nascido a termo está com mais de 15 meses e ainda não andou. Então, é preciso que um pediatra e um neurologista o examine”, alerta Teresa Uras, pediatra do Hospital Santa Helena.
É ruim para a criança pular a fase do engatinhar.
FALSO. A maioria dos bebês começa a engatinhar por volta dos oito ou nove meses, mas existem aqueles que já partem para os primeiros passos sem esta experiência. Apesar de algumas pessoas acreditarem que isso possa ser ruim para seu desenvolvimento, o pediatra Roger Brock acredita que uma vez que a criança já conseguiu ficar em pé e caminhar, demonstra que ela tinha capacidade de sustentação do corpo para isso, sem prejuízo.
Os bebês prematuros, em geral, começam a andar mais tarde do que os nascidos a termo.
VERDADEIRO. Os nascidos antes das 32 semanas de gestação têm seu desenvolvimento neurológico corrigido de acordo com a idade gestacional. Isso significa que o tempo que precisariam ter ficado ainda dentro da barriga vai apresentar uma diferença em desenvolver suas habilidades quando comparados aos nascidos a termo. Assim, eles irão sentar, engatinhar e andar em tempo diferente.
Crianças que andam mais cedo são mais inteligentes.
FALSO. O início do andar é muito relativo e varia para cada criança. Geralmente, aquelas mais agitadas começam a andar mais rápido. “O momento em que o pequeno começa a andar depende do estímulo que ele recebe e de sua própria personalidade. Não se pode dizer que quem anda antes é mais inteligente. O que se pode dizer é que algumas crianças são mais ativas”, diz Roger Brock, pediatra do Hospital e Maternidade Neomater.
Crianças que ficam mais no colo podem demorar mais para começar a andar.
VERDADEIRO. De acordo com Roger, todas as conquistas são feitas a partir de uma necessidade. “É como falar. Se a criança se comunica por gestos e é entendida, ela não vai falar porque não precisa. Do mesmo modo, se ele chora e alguém traz o brinquedo na mão dele, ele também não vai se mexer. É a necessidade que gera o fato de a criança querer andar”, diz. Assim, deixá-la no chão e mais solta, e não presa em um cercado, faz com que exista o estímulo para sair em busca de alguma coisa.
Para Teresa, o bebê que também fica muito tempo no berço não recebe os estímulos necessários. “Os pequenos gostam de explorar o mundo, e é isso que faz eles tentarem se apoiar e levantar. Mas ele precisa se sentir seguro”, explica. Por outro lado, forçá-lo a andar antes do tempo não é uma boa idéia, já que seus músculos não estão preparados para isso.
Engatinhar para trás indica um problema.
VERDADEIRO. Apesar de ser pequeno o número de crianças que engatinham primeiro para trás, Roger explica que é só uma questão de coordenação e segurança. “Para trás ela tem o apoio das pernas, enquanto para frente o bebê é
![]() |
| sentar antes de engatinhar |
Ainda assim, a pediatra Teresa Uras afirma que não é motivo para preocupações já que a fase é passageira. “Assim que tiver controle mais eficaz dos membros, começará a andar para frente”, assegura.
A criança precisa sentar antes de engatinhar.
VERDADEIRO. A partir do sexto mês a criança já consegue sentar e, para isso, precisa desen-volver o controle do tronco. Essa habilidade é essencial para que, mais tarde, ela consiga andar.
O andador pode prejudicar e atrasar a marcha.
VERDADEIRO. Além de perigoso, Roger Brock afirma que o acessório deixa a criança dependente já que facilita o movimento das pernas pelo fato dela estar sentada. Isso acaba, então, atrasando o processo do andar. A recomendação é deixar os pequenos em um espaço seguro dando oportunidade para eles levantarem. Teresa conta que presenciou casos de fraturas e traumatismos cranianos em função do andador, e revela que o instrumento é proibido em alguns países. “Ele impulsiona a criança, oferecendo riscos de choques com obstáculos ou de queda”, explica. A exceção fica por conta das crianças com deficiência muscular, caso em que há indicação pediátrica.
Sapatos auxiliam no processo do andar.
VERDADEIRO. Inicialmente é interessante deixar os bebês descalços ou com meia antiderrapante. Depois de terem o controle da marcha, é preferível optar por sapatos que deixam os pés firmes ao segurar o tornozelo e não derrapam.
Fonte: Meu Nenê
Edição: Clarissa Poty
31.10.2007
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