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Publicado em: 04/12/2007

Diferenciais que ajudam na escolha do colégio das crianças

Aula de chinês, computador na classe já a partir do maternal, período integral... À medida que o número de filhos encolhe, as escolas precisam oferecer mais para atrair as poucas crianças que restam.

Em 1970, a mulher brasileira tinha, em média, 5,8 filhos. Trinta anos depois, essa média caiu para 2,3. Resultado: a competição entre as escolas está acirradíssima, já que são poucos brasileiros que podem pagar pelo ensino particular, um dos principais gastos das famílias de classe média.

E, quando a gente fica entre duas instituições em que o básico está garantido (professores bem preparados e uma proposta pedagógica coerente), alguns diferenciais acabam pesando na escolha, não tem jeito. Mas a verdade é que, dependendo do caso, podem não fazer tanta diferença assim. É preciso avaliar se as alternativas oferecidas pelo colégio são mesmo vantajosas para você. A gente falou com um time de especialistas pra ajudar nessa tarefa. Lembre-se: essa análise não deve ser feita apenas antes de matricular o filho na escola. Acompanhar o aprendizado da criança depois é fundamental. 

PERÍODO INTEGRAL
Quando ambos os pais trabalham, o período integral é uma boa ajuda. Alguns colégios, não têm meio período: todos os alunos ficam o dia inteiro na escola. Em outros colégios, o período regular é de manhã ou à tarde e há uma taxa extra para quem quiser deixar o filho lá o dia todo. Entre os bônus, a certeza de que seu filho está seguro, supervisionado por profissionais.

A principal desvantagem é que a criança fica sem tempo livre pra escolher as próprias brincadeiras. Na escola sempre tem um adulto decidindo a hora das atividades. A variedade de opções de atividades oferecidas também é importante. “Não adianta dar aula de música em que o único instrumento existente é o xilofone”, diz Quezia Bombonatto, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Psicopedagogia.

faz diferença...
...porque, na escola, seu filho é monitorado por educadores e não por uma babá, geralmente sem formação.
...se seu filho for enjoado para comer. Ao ver outras crianças comendo direitinho na escola, ele aprende a comer também.

CURSOS EXTRAS NA ESCOLA
Antes de matricular o filho em cursos extras, veja se é vantajoso fazê-los na escola. Alguns fazem parte da mensalidade, outros (a maioria) são cobrados à parte. Algumas escolas fazem parcerias com cursos especializados. Essas parcerias podem dar descontos pra quem faz o curso na escola. Mas não é uma regra. Melhor pesquisar e colocar tudo na ponta do lápis.

É prático, pois você não precisa levar o filho da escola pra natação, da natação pro inglês, do inglês pra capoeira... Em compensação, o círculo de amizades da criança fica restrito. Em cursos fora da escola, ela lida com diferentes ambientes e colegas, o que ajuda a socialização.

E o mais importante de tudo: não pense só em você. Acima de tudo, a escolha tem de considerar o que é melhor para seu filho. Não o deixe sobrecarregado – criança não pode ter rotina de adulto. “A maturidade não vem com o número de cursos que a criança faz. Respeite o ritmo dela”, diz a professora da PUC-SP Neide Noffs, mãe de Denis e Karen. Mostre a seu filho as opções que existem e pergunte o que mais o interessa. Depois, se ele não gostar, não será o fim do mundo. Deixe-o escolher outra coisa e pronto.

faz diferença...
...se for mais barato fazer o curso no colégio do que numa escola especializada.
...se você vive em cidade grande, já que o trânsito complica a locomoção do balé para o inglês, do inglês para a capoeira...
...se a variedade de opções for grande e seu filho puder escolher atividades que realmente tenham a ver com ele.

INFORMÁTICA
A gente vive em uma era digital. Mas qual a idade certa para começar a ter aulas de informática? Para as escolas, a resposta é cada vez mais cedo. Algumas escolas já proporcionam aulas de informática desde o maternal. As aulas ficam mais dinâmicas e visuais, o que prende a atenção da criança.

Porém, ainda não se sabe o quanto isso pode afetar a caligrafia e a coordenação motora. Como tudo que é novo, o uso da tecnologia na educação infantil gera desconfiança. A professora da Faculdade de Educação da PUC-SP Marina Feldma não aconselha aulas de informática para crianças pequenas. “É modismo”, diz.

Para ela, os primeiros anos de vida devem focar o desenvolvimento motor, a descoberta do mundo com o próprio corpo. Antes de mexer no computador, a criança tem de pegar em terra, tinta, giz de cera... Para a professora da Faculdade de Educação da USP, Tizuko Kishimoto, a criança sacia a curiosidade brincando com o mouse e o teclado em casa. Já para a coordenadora do laboratório de informática do Colégio Nossa Senhora Aparecida, Efigênia dos Santos, uma coisa não elimina a outra. “Os softwares educativos exercitam a criatividade, mas não substituem as brincadeiras normais. Aqui, quando a criança enjoa do computador, o que acontece em uns 20 minutos, há outras atividades”, conta.

faz diferença...
...se os jogos estimulam o raciocínio, sem deixar de lado as brincadeiras tradicionais.
...se os professores forem bem preparados e usarem o computador como complemento e não como fim em si mesmo.
...se a escola tiver pelo menos um computador para cada dois alunos.

Fonte: Revista Pais & Filhos
Edição: Clarissa Poty
04.12.2007


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