Publicado em: 26/09/2007
Curiosidade infantil: a fase das perguntas
Por que eu nasci? Por que o papai tem barba?”A época varia conforme a criança, mas pode ter certeza de que você não vai escapar: elas adoram (e precisam) perguntar o porquê das coisas.
Antes de começar a se expressar pela linguagem, o aprendizado do seu filho ocorria pelo toque. Mexer nas coisas e levá-las à boca era a melhor forma de descobrir o mundo à sua volta. Com o estímulo dos pais, ou o convívio com outras crianças, esse mundo começa a parecer cada vez maior e mais complicado.
O pesquisador suíço Jean Piaget (1896-1980) chamou essa fase que vai dos 2 aos 7 anos de pré-operacional. É quando a criança começa a representar as coisas do mundo por palavras; no entanto, ela ainda não é muito boa na hora de fazer relações e conservar as idéias. É por isso que ela pode te repetir dez mil vezes a mesma pergunta. E você vai ter de dar dez mil vezes a mesma resposta.
Quando o momento do interrogatório chegar, preste atenção em seu filho e tente entender o que ele quer dizer. Nunca diga que a pergunta é boba ou brigue por causa de algo que ele perguntou.
As respostas precisam ser as mais simples possíveis, sem deixar, contudo, de dizer a verdade. Sempre. Isso é fundamental, pois estabelece uma relação de confiança. Se não souber responder, reconheça e vá pesquisar a informação junto com ele em um mapa ou uma enciclopédia. A máxima “porque sim não é resposta” é verdadeira, mas de nada vai adiantar fazer um discurso sobre o desenvolvimento do polegar opositor na passagem dos macacos à raça humana se ele só queria saber por que a mão tem cinco dedos. É pra segurar as coisas, oras! Informação demais confunde.
Uma maneira básica e bacana de tirar as dúvidas dos pequenos curiosos é pedir ajuda para os livros infantis. Conforme eles forem crescendo, dá pra fazer uns joguinhos e estimular o raciocínio. Se a criança pergunta “por que a girafa tem um pescoço comprido”, você pode devolver a dúvida em tom de brincadeira: “É mesmo, por que será?”
O esforço dos pais vale a pena. “É nessa idade que a criança vai ganhar gosto pelos estudos e por aprender”, explica Michele Breslauer, mãe de David e Esther, psicopedagoga. Mas, nessa idade, “por quê” nem sempre é “por quê” de verdade... Às vezes, ele pode significar “fale mais”. É um momento gostoso esse de ensinar e ver o outro se abrindo para a vida. “Os pais podem aproveitar essa fase para ampliar suas próprias percepções”, lembra a psicóloga Viviane Scarpelo, especialista em psicoterapia de casal e família.
Fonte: Revista Pais & Filhos
Edição: A.C.L
26.09.2007
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