Prontomed Infantil

Tamanho da fonte: a- A+

Publicado em: 15/04/2009

Crianças que desafiam os pais

Algumas crianças costumam ter resistência em acatar as ordens dos adultos. Em certos casos, a birra tem motivações e ocorre sem grande freqüência. Mas quando este comportamento desafiador é persistente, e imotivado, os pais podem estar diante do Transtorno Desafiador Opositivo (TDO). A psicóloga Gorete Oliveira, do Prontomed Infantil, ajuda a explicar melhor o problema e como os adultos podem identificá-lo.


Transtorno Desafiador Opositivo (TDO)

Ainda dentro dos transtornos de comportamento disruptivo podemos observar um grupo de crianças que apresentam um padrão persistente de comportamento negativistas, desafiadores e hostis, principalmente frente às autoridades (pais, tios, avós, professores etc.). Uma situação típica pode exemplificar esse transtorno: um aluno dentro de uma sala de aula olha para a professora e para a porta de saída. Se a professora diz “fique dentro da sala, não saia”, ele sai correndo; se a professora diz “sente-se”, ele se levanta; se ela diz “fique de pé”, ele se senta......

De acordo com Kaplan, Sadock e Grebb, essas crianças ficam frequentemente irritadas, são rancorosas e facilmente aborrecidas pelos outros, além de apresentar um descontrole emocional e teimosia persistente. Elas desafiam ativamente solicitações ou regras impostas por adultos, tendem sempre a discutir com eles, perturbam os outros deliberadamente e recusam a fazer o que lhes é dito. Normalmente, não se consideram opositivos ou desafiadores, mas justificam seus comportamentos como uma resposta a circunstâncias que lhes parecem irracional. Elas se diferem das que têm transtorno de conduta quando, em vez de “fazer frente”, ou seja, ser contra os outros, são ativamente resistentes aos outros.

Para que seja feito um diagnóstico do transtorno desafiador opositivo, é necessária, de acordo com o DSM-IV-TR, a apresentação de pelo menos quatro dos seguintes comportamentos:

.... descontrole emocional, discutir com adultos, desafio ativo ou recusa a obedecer a solicitações ou regras dos adultos, deliberadamente fazer coisas com intuito de aborrecer outras pessoas, responsabilizar os outros por seus próprios erros ou mau comportamento, ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros, mostrar-se enraivecido e ressentido, ou ser rancoroso ou vingativo.

Assim como transtornos de conduta, esse diagnóstico só pode ser feito se esses comportamentos citados não se referirem a um transtorno maior, ou seja, se eles não forem parte de um quadro, por exemplo, de psicose ou, até mesmo, de um transtorno de conduta corretamente diagnosticado.

Alguns estudos sugerem que entre 2% a 16% das crianças em idade escolar apresentam o transtorno desafiador opositivo. Porém, algumas peculiaridades são específicas desse transtorno, como, por exemplo: o início se dá por volta dos 8 anos de idade e, apesar de ser mais freqüente em meninos do que em meninas antes da puberdade, essa proporção vai se igualar depois dessa fase, ou seja, observa-se uma mesma proporção de meninos e meninas com o transtorno desafiador opositivo a partir dos 14-15 anos.

Ele parece ser um antecedente evolutivo do transtorno de conduta, ou seja, quando este não é bem diagnosticado e tratado com bons resultados, algumas crianças podem desenvolver o transtorno desafiador opositivo. Segundo Kaplan, Sadock e Grebb, várias dessas crianças vêm de famílias cujas mães são controladoras e deprimidas e os pais, passivo-agressivos. Ao que parece, em muitos casos, crianças com esse transtorno eram filhos indesejados.

Fonte: FACION, José Raimundo. Transtornos do desenvolvimento e do comportamento. 3 ed. rev. Atual. Curitiba: Editora Ibpex, 2007

Gorete Oliveira, psicóloga do Prontomed Infantil
Edição: Clarissa Poty
15.04.2009

[x] Fechar






[x] Fechar





Comentários

    Nenhum Comentário Cadastrado.

Rir é o Remédio