Publicado em: 12/12/2011
Você é uma pessoa de primeira?
Esta escolha, na esmagadora maioria das vezes, é feita de maneira inconsciente. Isto é, temos um “filtro” interno que seleciona ou repele pessoas de acordo com os parâmetros secretos deste filtro.
Estes parâmetros secretos, por sua vez, são desenvolvidos dentro de nós ao longo de nossa vida. Deles fazem parte nossa personalidade, nossas experiências e, sobretudo, nossa segurança ou, talvez melhor, nossa insegurança.
Desta forma, aquelas pessoas cuja presença, segundo nossa cabeça, poderá nos causar algum desconforto são sistematicamente retiradas de nosso círculo de relacionamento. Este desconforto nada mais é do que o nosso medo de nos vermos ameaçados, por qualquer motivo que seja.
Assim, existem pessoas que têm medo de perder um posto, seja na empresa seja na vida particular. Têm medo de ser contestados e ter de rever uma decisão tomada. Têm até medo de uma idéia que possa ser melhor que a sua, só para citar alguns exemplos. Por isto, selecionam para que fiquem ao seu lado apenas pessoas que lhe dêem a devida confiança de que não serão ameaçadas. Por conseguinte, cercam-se de pessoas que são obedientes e não contestam suas decisões, que não têm idéias próprias, etc. e que não se transformarão em ameaça para o seu querido posto. Isto é, têm ao seu lado pessoas piores que elas. E aí formam um verdadeiro “exército de Brancaleone”. E o que é pior ainda, com este grupo querem obter resultados extraordinários.
Este tipo de comportamento é típico de pessoas que podemos chamar de pessoas de segunda.
Já existe um outro grupo de pessoas que são mais seguras de si e não temem ser desafiadas por quem quer que seja. Na verdade, elas não enxergam que sejam desafiadas. Para elas, o que existe são pensamentos, comportamentos e posturas diferentes diante de certas situações. Entendem que estes ingredientes não têm nada de nocivo, pelo contrário, enriquecem o debate, melhoram as decisões e permitem o crescimento e desenvolvimento das pessoas. Entendem, principalmente, que a diversidade de pensamentos e posturas em uma equipe faz com que todas as possíveis vertentes que uma situação possa envolver sejam constatadas e analisadas. Para compor sua equipe, buscam selecionar pessoas que tenham idéias próprias, sejam pró-ativas e questionem os pontos de vista, sejam eles de quem for.
Estas são as pessoas que podem ser chamadas de pessoas de primeira. Veja que se cercam de pessoas muito parecidas com elas, e, se possível, melhores, isto é, pessoas de primeira. E, como visto, já as pessoas de segunda escolhem, para estar ao seu lado, pessoas de terceira e quarta.
Como podemos ver nesta breve descrição destes dois tipos de liderança, o comportamento como pessoa de primeira ou pessoa de segunda será decisivo na montagem de uma equipe, ou mesmo na constituição de uma família ou grupo de amigos.
Assim, se quisermos ter uma equipe de trabalho competente, criativa e em constante crescimento, não podemos escolher, para sua montagem, pessoas de terceira e quarta. Se assim for, como poderemos esperar por resultado que não seja a acomodação, o conformismo, a falta de criatividade, a subserviência e assim por diante?
Este mesmo princípio pode ser aplicado em nossa família. Claro que para este caso não selecionamos as pessoas como em uma empresa. Nesta situação, podemos fazer de nossos filhos e esposa/esposo, pessoas fracas, despreparadas para a vida. Poderemos construir verdadeiros fracassados. Basta que castremos sua criatividade, espontaneidade, sonhos e assim por diante. Em pouco tempo serão pessoas de terceira, quarta e sabe-se lá o que mais. E serão assim em casa, no trabalho e com os amigos.
Na empresa, devemos sempre instigar as pessoas de nossa equipe a não serem passivas.
Devemos apoiar e incentivar a criatividade, a contraposição de pontos de vista e o não conformismo com o status quo.
Com isto, estaremos desenvolvendo as pessoas para serem inteiras, seguras, donas de seus destinos. Isto será muito bom para as pessoas, mas será melhor para a empresa.
Como pode ser visto, quando nos comportamos como pessoas de segunda, logo estaremos cercados de pessoas de terceira, quarta, etc. Mas, se pelo contrário, nos comportarmos como pessoas de primeira, certamente, em pouco tempo, teremos ao nosso lado apenas pessoas de primeira, um verdadeiro “exército” de craques. E quem será que vencerá a batalha para o sucesso, o “exército de Brancaleone” ou de craques? Esta previsão não parece difícil de ser feita.
Por Antonio Lazarini, palestrante e consultor de gestão de pessoas.
Fonte: Exame.com
Edição: C.P
12.12.2011
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