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Publicado em: 26/11/2007

Um guia para médicos e demais profissionais preocupados com a realização na carreira

Uma bússola para orientar os passos. Esse é o papel que um plano de carreira deve assumir na vida de um profissional, seja ele médico ou não. E esse planejamento pode até incluir metas financeiras, como uma casa na praia, uma remuneração de dois dígitos ou uma temporada no exterior.

O sonho é o combustível necessário para começar uma jornada, a projeção de um cenário ideal que inclua todas as demandas pessoais e profissionais almejadas. O consultor Pedro Frascino, da DBM, empresa de outplacement e coaching, observa que o sucesso de uma carreira tem o lado externo, em que o status e a remuneração são os indicadores, e o interno, que é a satisfação propriamente dita com a atividade exercida.

“Nas empresas as demandas são mais evidentes, com metas a serem cumpridas. Para um profissional autônomo, os desafios não são tão claros, o que requer atenção redobrada”, diz Frascino. O risco de ser engolido pela rotina está na vida de qualquer profissional. Porém, dentro de uma corporação, muitas vezes há planos de carreira que auxiliam nessa tarefa e despertam a ambição de evoluir. Já no caso dos médicos esses planos precisam ser desenhados por eles mesmos.

“O ideal é colocar as metas no papel, para depois revê-las de tempos em tempos”, explica o consultor Guilherme Velloso, da PMC Amrop. “Não é uma camisa-de-força, mas um guia para analisar o que está acontecendo e o que pode ser melhorado”, diz. Poucas pessoas realizam essa dinâmica, admite Velloso.

“Gestão de carreira é gestão de escolhas”, diz Pedro Frascino. E, para que essas escolhas estejam mais próximas daquilo que levará um profissional ao sucesso, o consultor recomenda um exercício simples. “É preciso se perguntar quais são as coisas pelas quais você se levanta da cama rapidamente e faz com muita energia, e as outras por que quer jogar o despertador na parede”.

A priori, o trabalho num hospital de renome e a montagem de um consultório próprio são as metas de todo médico ao sair da faculdade. Mas alcançar esses objetivos requer aprendizados práticos, que não estão nos livros da faculdade.

O infectologista mineiro Antônio Miziara, natural de Uberaba, por exemplo, conseguiu de cara entrar num dos hospitais mais importantes de sua área, o Instituto Emílio Ribas, de São Paulo, ao qual está vinculado até hoje. Saiu de sua cidade natal para fazer a residência e logo foi convidado para ingressar no corpo médico do Emílio Ribas. Pouco tempo depois, conseguiu trabalho numa empresa de assistência médica. Assim, dividia sua rotina entre dois empregos.

Na década de 1980, aos 37 anos, sentiu-se seguro para montar sua própria estrutura de atendimento. Mas aí aprendeu na prática que o binômio médico-consultório não é uma equação tão fácil de administrar. Abriu as portas num bairro residencial de São Paulo com um horário de atendimento noturno que, naquela época, não era tão atraente.

“A gente monta um consultório pensando que vai ter muito paciente no dia seguinte, ma não é bem assim”, explica. Com mais gastos do que resultados, percebeu que o endereço não era tão acessível a seu público e, ainda, que o horário não era o mais apropriado.

Mudou-se então para um endereço mais central, próximo ao metrô, ampliou o horário de atendimento e associou-se a um plano de saúde. Hoje, aos 60 anos, Miziara sente-se realizado com  o desenvolvimento de sua carreira.

Olhe à sua volta

“O profissional médico deve olhar o seu entorno, o ambiente social, as demandas de seu público, as políticas de saúde e os aspectos econômicos, para saber como interagir e atender seus pacientes”, diz Pedro Frascino.

Para Guilherme Velloso, da PMC Amrop, o importante é estabelecer macro-objetivos, a exemplo dos planos qüinqüenais definidos pelas empresas, para cinco, dez e vinte anos. E, a cada ano, promover um exercício de reflexão e ponderar o que foi feito em prol dos desafios lançados. “Há sempre pequenos passos para se chegar a um grande objetivo”, diz. Ele cita o exemplo de alguém que planeja uma especialização no exterior num espaço de três anos. Num ano ele pode cursar o idioma do país almejado; no outro, aumentar a carga horária de trabalho para juntar recursos que garantam a viagem; e, no ano seguinte, focar suas energias na participação em cursos lá fora.

Procurar um diferencial em sua área significa encontrar um canal de aproximação com seu público. Como diz Guilherme Velloso, “há médicos com filas na porta e outros não”.

Ana Paula Junqueira Santiago, de 39 anos, é das que têm filas. Obstetra do Hospital São Camilo, de São Paulo, especializada em gravidez de risco, ela investiu ainda em outra formação complementar, a Psicologia, com foco em Sexologia, o que a ajudou a cuidar melhor da relação médico-paciente.

Casada e mãe de um filho de três anos, a obstetra não trabalha menos que 12 horas por dia, e planeja ainda outro curso complementar, de Psicossomática. O marido, professor de educação física, a ajuda nas tarefas domésticas e na organização financeira. “Se você não faz vínculos dentro de sua casa, não faz também com seus pacientes”, analisa Ana Paula, uma avis rara. Ela conseguiu o equilíbrio perfeito para gerir a carreira, segundo os especialistas.

Os passos para o sucesso

Estabeleça objetivos para curto, médio e longo prazos e passe as metas para o papel.

Inclua nesse planejamento as expectativas financeiras

Invista no conhecimento técnico e também no “relacional”, para o contato entre médico e paciente

Fique atento aos fatores socioeconômicos da sua especialidade e às possibilidades de compor sua renda com consultas por convênio e particulares

Para quem está iniciando e planeja abrir um consultório, o ideal é começar alugando horas na sala de outro colega.

Invista na atualização constante e busque também recursos fora da sua área que façam a diferença

Faça as escolhas com base em melhores aptidões e não só pelo retorno financeiro

Envolva a família na rotina de seu trabalho. O sucesso da carreira também passa pelo equilíbrio emocional.

Fonte:Diálogo Médico Maio/Jun 2007
Edição: Clarissa Poty
26.11.2007


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