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Publicado em: 29/06/2007

Saúde, para dar e vender, só com informação de qualidade e gestão competente

Falar da necessidade de se investir em Saúde para que se propiciem às pessoas condições dignas de vida é um tema óbvio, até demais. Tão óbvio que, depois de tanta repetição, o assunto chega a ser desgastante. Na verdade porque não é tão óbvio assim, e sim muito complexo.
 
Investir em saúde para o bem das pessoas depende fundamentalmente de um gerenciamento adequado e de comunicação eficiente. Todos participam dessa ciranda: as empresas, os usuários, os médicos, os hospitais, os laboratórios etc. O uso equilibrado e transparente resolverá um dilema, que por ser cada vez mais crônico torna-se cada vez mais grave, que é garantir assistência de qualidade e a própria saúde da empresa.
 
Estamos diante de uma perspectiva futura em que os gestores da área de saúde têm o desafio de equacionar fatores como a demanda crescente e custos elevados. A pressão se eleva com a crescente cobrança em tornar a saúde mais acessível, o que em si já seria outra obviedade não tão óbvia assim.
 
Estudos comprovam que os hábitos e estilo de vida das pessoas ainda são as principais causas das doenças. A complexidade aqui é cultural e econômica, pois
qualidade de vida tem que ser conjugada com o comprometimento de cada indivíduo, que passa a ser co-responsabilizado por sua saúde. Ações de conscientização integram os programas de prevenção e diagnóstico precoce, duas áreas da saúde que estão em evidência e exemplificam como a medicina sofreu mudanças no seu escopo de atuação.
 
Os avanços tecnológicos, principalmente na área médica, e os cuidados com prevenção ampliaram a expectativa de vida da população e trouxeram o novo desafio de garantir qualidade de vida nos anos conquistados. O envelhecimento da população é um fenômeno mundial. Atualmente 550 milhões de pessoas apresentam idade acima dos 60 anos. Em 2050 o número de idosos deve triplicar, alcançando 2 bilhões (sendo que 1,7 bilhões nos países em desenvolvimento). O Brasil está incluído entre os 10 países que, juntos, têm 62% da população mundial com mais de 60 anos de idade. São 17,6 milhões de brasileiros representando 9,7% do total. Ou seja, 2% dos idosos no mundo são brasileiros. Viver mais, a conquista da longevidade, significa uma vitória espetacular da civilização brasileira e traz em consigo um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas públicos de saúde.
 
De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o percentual de gastos com assistência médica em relação ao PIB deve quase duplicar nos 30 países mais desenvolvidos. Hoje representa 5,7% e, em 2050, deve representar 10%. Como agravante, a inflação médica chega a ser três vezes maior que a economia como um todo.
 
O cenário brasileiro aponta para um crescimento preocupante dos custos com saúde em um patamar acima dos principais indicadores econômicos financeiros. Esta tendência não é prerrogativa do Brasil. No contexto mundial também observamos o aumento dos gastos no setor, em níveis superiores ao do crescimento geral da economia. Nos Estados Unidos, por exemplo, os preços subiram 27% em dez anos, mas a inflação médica superou 100%. Além disso, um estudo de professores da Universidade da Califórnia revelou que aproximadamente 30% do PIB dos Estados Unidos deve estar comprometido com gastos em saúde no ano 2050. Em 1950, este percentual era de apenas 5% e hoje está em torno de 16%. O aumento projetado indica a grande dificuldade de financiamento dos gastos do setor.
 
No Brasil, desde 1994 a inflação ao consumidor subiu 150% e os custos da saúde aumentaram 350%. Aqui, além dos custos que são altos existe um outro problema: apesar das graves deficiências apresentadas, a saúde não é prioridade. A medicina privada vem diminuindo não só proporcionalmente ao total, mas também em números absolutos. Trata-se de um recuo assustador. A saúde suplementar brasileira é o segundo mercado mundial, com uma receita de R$ 35 bilhões em 2005. A análise dos custos com saúde das operadoras, porém, nos mostra uma curva de crescimento acentuada nas duas últimas décadas e evidencia a impossibilidade do financiamento do setor a médio e em longo prazo, já que a capacidade de pagamento dos clientes não acompanha a elevação dos custos setoriais. O Sistema Único de Saúde (SUS) hoje já é responsável pelo atendimento de 130 milhões de pessoas. O sistema privado - seguros, plano de saúde e medicina de grupo - por algo em torno de 45 milhões. A melhor, talvez a única alternativa para solucionar esse quebra-cabeça no Brasil é a combinação entre os dois sistemas.
 
Os esforços devem ser feitos em diferentes frentes e de forma integrada. Gerenciamento competente e informação de qualidade e bem distribuída.

Envolvidos todos: sistema público e privado, corporações e indivíduos. Respeitando as peculiaridades e o alcance de cada um na transformação do cenário atual, cada agente possui sua quota de responsabilidade. E, independente do agente, todos os esforços precisam ainda equilibrar dois aspectos: custos e qualidade. O pagamento por desempenho, o fim da cultura do desperdício e a promoção da integração de processos. 
 
Uma solução em Saúde depende de um conceito de integração (em que você unifica uma prestação de serviço de medicina ocupacional, com medicina preventiva, plano de saúde e odontologia), de uma comunicação clara e de um gerenciamento que envolva a todos na sua participação.

 

Fonte: Portal Nacional de Seguros & Saúde - Manoel Carvalho
Edição: F.C.
29.06.2007


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