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Publicado em: 17/03/2008

Paradoxo Administrativo

Para um administrador eficiente, tão pitoresco quanto detectar onde há o erro é compreender porque determinadas decisões resultam na eficácia organizacional.

Aos decifradores de mistérios, dou-lhes um caso de Administração Pública internacional. A Argentina de 1999 a 2002 viveu violentos distúrbios sociais, congelou contas bancárias e impôs inúmeros confiscos e calotes. Nesse mesmo período, o desemprego chegou a 22% e a inflação a 40%, conseqüentemente, uma contração do PIB de 21%. Por isso, toda a conjuntura governamental hermana estava sob o domínio do caos, de forma a reforçar as apostas dos administradores que previam que tão cedo o país não sairia do inferno econômico em que se metera.

Todavia, com todos esses problemas administrativos, os gestores governamentais viam-se na responsabilidade de reverter tal quadro sócio-econômico criado pela má Administração Pública. Dessa forma, convém afirmar que um país é uma organização, e que nos momentos oportunos, seus administradores devem fazer escolhas arrojadas e que possuem risco, requerendo toda uma cautela e planejamento.

Assim, ao tomar posse da Administração Argentina, o governo de Néstor Kirchner adotou uma série de medidas heterodoxas em relação à sua organização – país – a começar pela renegociação da dívida em défault em termos duríssimos que impuseram uma enorme perda aos credores; a segunda medida foi calibrar o superávit primário para garantir que as contas públicas nominais ficassem no azul já a partir de 2003; a terceira medida foi converter com grandes reduções as tarifas reais dos serviços públicos privatizados; a quarta medida foi em relação aos movimentos de reestatização de setores como saneamento e energia.

Além disso, as taxas de câmbio diferenciadas para a conversão forçada de ativos e passivos de dólares para pesos contribuíram para distribuir arbitrariamente os custos da ruptura do currency board com fortes prejuízos aos bancos, que levaram a uma virtual implosão do sistema administrativo. Desta forma, a Argentina hoje recompra liquidamente sua dívida pública.

Após as medidas heterodoxas tomadas pelo administrador público Néstor Kirchner, a Argentina ingressou no ritmo de crescimento próximo a 9% ao ano e já vai ao seu quarto ano consecutivo de crescimento superior a 8,5%. Também é imprescindível relatar que com os cortes nos gastos públicos, estes não superam os 24% do PIB, e uma carga tributária de apenas 24% do mesmo.

É mister esclarecer que não se pode ter uma visão simplista e afirmar que nas organizações contemporâneas a Administração não é apenas constituída de visões heterodoxas, pois é um ato de insolência desprezar as medidas ortodoxas que foram postuladas ao longo do estudo administrativo como ciência.

Assim, é a competência e o conhecimento do administrador que lhe mostrará os momentos corretos de tomar decisões de riscos e arrojadas – heterodoxas – ou decisões de cautela e prudência – ortodoxas.


Enviado por Tonny Kerley de Alencar Rodrigues
Contabilidade Med Imagem

17.03.2008


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