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Publicado em: 22/08/2008

Os idosos do amanhã

Em 2025 atingiremos a marca de 33,4 milhões de idosos, dobrando, em apenas 17 anos, o contingente de homens e mulheres na faixa etária acima dos 60. A data também é importante por consolidar, mesmo diante de tanta adversidade, a possibilidade de viver mais no Brasil.

Para os especialistas, o aumento da expectativa de vida em todo o mundo é uma das maiores conquistas da humanidade e, sem dúvida, deve ser comemorado.

Por outro lado, o crescimento tão acelerado da proporção de idosos no montante da população anuncia grandes desafios pela frente. No caso do Brasil, especificamente, vale um alerta: “Se não fizermos, com a mesma velocidade, os ajustes nas políticas de envelhecimento e, mais que isso, se não deixarmos de excluir os idosos nas dinâmicas sociais, a longevidade, que deveria ser um ganho, vai acabar se configurando num grande problema”, avalia a psicóloga Lúcia França, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Salgado Oliveira (Universo-RJ).

Para o gerontólogo Alexandre Kalache, que durante os últimos 12 anos esteve à frente dos programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), ajudando o planeta a pensar soluções para a problemática do idoso, a conquista de uma longevidade digna e saudável é o grande desafio social do século 21.

Segundo ele, a chamada transição demográfica ou terremoto da terceira idade exige revisão drástica das políticas voltadas a essa parcela da população, especialmente no que diz respeito à saúde, participação e segurança.

“Para quem, ao longo da vida, se alimentou bem e pôde usufruir de todos os recursos disponíveis para melhorar a saúde, será uma maravilha ser idoso em 2025”, antecipa Kalache. O problema é a massa excluída, sem informação e sem dinheiro. Pessoas que dependem exclusivamente das políticas de envelhecimento e para as quais, se nada for feito, o abismo entre qualidade de vida e a mera sobrevivência pode se tornar ainda maior.

Ele chama a atenção para a necessidade de uma sensibilização coletiva, uma espécie de revolução dos conceitos ainda vigentes. Ou isso ocorre, ou os idosos do futuro vão viver sob condições ainda piores que os de hoje. “Mas eu sou um otimista. Ainda dá tempo de recuperar a consciência e o controle da situação.”


Fonte: Saude Plena
Edição: F.C.
22.08.2008


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