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Publicado em: 09/06/2009

Os ecochatos tinham razão

O verão se foi, estamos vivendo o outono. É verdade que não dá para sentir muito a mudança de estação. Elas já foram mais definidas. As quatro, verão, outono, inverno e primavera tinham característica própria. Dava para a gente mexer no quarda-roupa, separar as roupas que iríamos usar na estação e colocar outras na parte de cima, onde ficavam bem guardadas até o tempo certo de voltarem ao uso.

Mas isto foi lá atrás, quando não se falava em aquecimento global, em fim da fartura das águas. Devagar as coisas foram mudando sem que nos déssemos conta. Em nossa defesa, nem podemos dizer que não fomos avisados. Vieram os ecologistas, os ecochatos dos anos de 1960, gente estranha, que impedia a derrubada de árvores subindo nelas. Que fala em proteção aos bichos, sem citar o homem. Poucos foram os que deram atenção a eles.

Os anos se encarregaram de mostrar que estavam com a razão. Mudou o clima, mudou a Terra, mudou a qualidade de vida e, principalmente, mudou a perspectiva de futuro. Só não mudamos nós, que continuamos achando que podemos fazer qualquer coisa com a natureza, que ela é infinita e que, qualquer agressão que sofra, pode assimilar e se recuperar. Mas é tempo de compreendermos que não é esta a realidade. O planeta começa a dar sinais de saturação, de incapacidade de atender à demanda sempre crescente de uma sociedade insaciável e consumista.

Só quem não quer não percebe que é preciso mudar nossos conceitos de vida, nossos conceitos de convivência com a natureza,. E precisamos iniciar pelos conceitos de urbanização. O verão que se foi nos deixou a lição de que a ocupação desordenada do solo , que destrói a natureza e agride as fontes de água, não pode mais continuar. Pelo Brasil afora foram centenas de mortes causadas pelas inundações.

Na ânsia de espaço nos maiores centros, o homem tirou da água o seu espaço. Canalizou córregos por onde ela corria livremente, acabou com áreas naturais de inundações. O resultado disso cansamos de assistir pela imprensa. A água tomando à força o espaço que lhe roubaram, levando vidas, muitas vidas, e bens, muitos bens, e sonhos de roldão.

Enquanto nas grandes cidades muitos sofriam com as águas, pelo sertão e até em insuspeitas regiões, como o Sul e o Norte do país, outros milhares sofriam com a falta dela. O desmatamento desenfreado em busca de área  para as atividades como a economia, pecuária, agricultura, carvão, mineração – vai destruindo a natureza, tirando do solo a sua proteção e sua riqueza, deixando regiões de sofrimento.

O homem precisa pensar um pouco mais. Tirar das águas do verão que se foi a lição. Tirar do inverno que vem aí com sua seca, a lição. Se juntar e discutir com outros homens, daqui mesmo e de outros países, uma solução para os problemas de nosso planeta, de seu aquecimento incontrolável, do crescimento de sua população, de formação de grandes aglomerados urbanos, que levam à degradação de grandes áreas. São questões complexas, mas que precisam ser discutidas e solucionadas já.

Enquanto isto, algumas medidas simples a gente pode adotar. Medidas que vão ajudar em muito. Como não desperdiçar água. Não desperdiçarmos alimentos. Além de coisas mais simples, como não jogar lixo nas ruas, material que vai acabar nas redes pluviais e nos esgotos, ajudando, no período das águas, a formar as grandes inundações. Ou então não fazer queimadas ou atirar cigarro aceso no mato, provocando grandes incêndios. Dá para cada um fazer um pouco. O muito é a soma dos poucos.

Por Paulo César de Oliveira, Jornalista

Fonte: Revista Viver Brasil/ Abril de 2009
Edição: Clarissa Poty
09.06.2009


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