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Publicado em: 23/09/2009

Lei contra o fumo: vitória da saúde

Para os paulistanos adeptos e praticantes de uma vida saudável, o dia sete de abril de 2009 será uma data comemorativa. Foi quando a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou o projeto de lei que proíbe o fumo em locais fechados e parcialmente fechados, públicos e privados. De autoria de nosso governador José Serra, essa lei com certeza será sancionada por ele e entrará em vigor 90 dias após essa sanção.

Isso significa que nós, não-fumantes, nos livraremos das pessoas inconvenientes que expelem aquela fumaça extremamente desagradável e nociva à saúde. Recentemente estive em meu restaurante preferido em São Paulo, quando o prazer de degustar uma boa comida foi subitamente interrompido  pelo desconforto de estar inalando uma fumaça liberada pelo cigarro de duas inoportunas garotas na mesa ao lado. Além de estragar o jantar, tive a sensação que elas passavam a mensagem de que os incomodados que se retirem. Os tabagistas realmente não se tocam e ainda acham que os chatos são os que reclamam e não eles que tornam o ambiente insuportável.

Essa nova lei é mais uma medida de contenção do tabagismo que vem diminuindo gradativamente. Recente pesquisa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional do Câncer (INCA), indica que 18.8% da população brasileira acima dos 15 anos é fumante. Essa média é inferior ao do resto do mundo, em torno de 20%, e bem menor do que há 10 anos, quando girava em torno de 35% da população. Essa diminuição foi graças às campanhas ostensivas contra o fumo e, recentemente, ao aumento da alíquota do cigarro, que deve contribuir ainda mais para diminuição do consumo.

Muitas pessoas que fumam querem parar. Tanto é verdade, que o Ministério da Saúde acaba de informar que no ano passado 173 pessoas por hora procuraram ajuda para parar de fumar através do Disque-Saúde.

O humorista José Simão em sua coluna da Folha de São Paulo sentenciou: “fumante e socialista são espécies em extinção”. Tomara! Fumante e socialista então, ninguém merece!

Mas por que tanta implicância com o fumo e tanto combate por parte de um governo que se preocupa em proteger a saúde da população? Os números falam por si só:
 
- A fumaça do cigarro possui 300 substâncias consideradas tóxicas. Dessas, 40 são cancerígenas.
- Segundo estatísticas norte-americanas, 80% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao tabagismo.
- Nos Estados Unidos, o câncer de pulmão representa 13% das neoplasias diagnósticas. Por ter alta mortalidade, representa 28% das mortes por câncer por ano, o que corresponde a 160.000 mortes nesse período. O cigarro contribui com 128.000 dessas mortes.
- O fumo ainda causa doenças cardíacas, derrames, doenças pulmonares, e outros tipos de câncer, como de cabeça e pescoço, esôfago e bexiga, aumentando ainda mais a mortalidade.
- No Brasil, a estimativa é que há 200 mil mortes por ano decorrentes do tabagismo. Como câncer é uma enfermidade que não possui notificação compulsória no país, esses números podem estar subestimados.
- Na China, onde a plantação de tabaco é estratégica, 70% dos homens fumam. Isso provoca em torno de 500.000 casos novos de câncer de pulmão por ano nesse país, a maior incidência do mundo. Como lá a sociedade é machista, apenas 5% das mulheres chinesas fumam. Sorte delas!
- Quem fuma tem sua expectativa de vida reduzida em aproximadamente 10 anos.

Embora essa nova lei em São Paulo contribua para diminuir o tabagismo, ela é especialmente importante para os não-fumantes, que podem se prejudicar como fumantes passivos. Segundo estudo publicado no periódico British Journal of Medicine em 1986 (Wald NJ et al.), 25% do câncer de pulmão em não-fumantes é provocado pela inalação de fumo passivo.

Na cidade de Nova Iorque, onde a proibição do cigarro imposta na cidade é uma das mais rigorosas dos EUA, recente pesquisa mostrou que metade dos não-fumantes apresenta níveis elevados de cotinina no sangue, um metabólico de nicotina, encontrado devido ao fumo passivo. Isso é preocupante, uma vez que nos EUA calcula-se que morrem anualmente, vítimas de doenças cardíacas, pelo menos 35 mil fumantes passivos e 3 mil desses de câncer nos pulmões.

Portanto, essa lei é mais do que bem vinda. Embora alguns juristas estejam questionando a constitucionalidade dessa medida, por diminuir a liberdade das pessoas, liberdade essa que afeta a saúde dos demais, outros mais lúcidos, alegam o óbvio : o Estado está cumprindo o seu papel constitucional de proteger a saúde da população.

Enfim, não fumar é um hábito saudável dos mais óbvios. Aos que conseguiram largar de fumar, tarefa essa que exige muita força de vontade, os meus sentimentos de admiração. Aos que ainda fumam, meus sinceros desejos de que algum dia consigam largar esse vício tão nocivo.

Autor: Dr. Robson Ferrigno, membro titular do CBR e presidente do setor de Radioterapia da SPR

Fonte: Boletim CBR - Agosto/2009
Edição: C.P
22.09.2009


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