Publicado em: 18/10/2006
Estagnação do pensamento
Autora: Fernanda Dino
Estudante de Jornalismo da UFPI/funcionária da Medimagem
De acordo com o minidicionário Aurélio da língua portuguesa, a palavra "ideologia" refere-se à ciência da formação das idéias, a um sistema de idéias. Trata-se de um conceito vago, pois não se consegue facilmente relacioná-lo ao cotidiano e à realidade humana.
No livro Filosofia da Educação, Maria Lúcia de Arruda Aranha faz alusão à ideologia como sendo um "conjunto de idéias, concepções ou opiniões sobre algum ponto sujeito a discussão". A ideologia serviria ao homem como uma orientação acerca de como ele deve pensar, proceder e sentir diante das situações, de forma a aceitar como naturais suas atitudes e o que acontece ao seu redor.
Nas relações de poder, esse pensamento ideológico, muitas vezes, acaba por encobrir as diferenças presentes na sociedade, facilitando a manutenção da dominação de uma classe sobre a outra.
Há também outro sentido para a palavra ideologia. Isso ocorre quando ela é entendida como um conjunto de idéias que não correspondem a fatos reais. Um exemplo seria quando se diz que a qualidade do trabalho realizado pela mulher resume-se às tarefas domésticas, como cozinhar, arrumar a casa e lavar pratos. Sabe-se que isto é um equívoco. As mulheres, hoje, são presença marcante no mercado de trabalho, desempenhando as mais diversas funções, inclusive cargos de chefia. A ideologia, no sentido pejorativo, restringe-se a conceitos pré-estabelecidos, a concepções sem fundamento.
Em tempos de eleições, as ideologias partidárias ficam mais em evidência. É nesse momento, em que a verdadeira crítica deveria ser praticada com mais ênfase, que há uma estagnação do processo reflexivo: em vez de analisar o histórico dos candidatos, geralmente segue-se um partido. Não é o partido quem vai governar – pelo menos é o que deve acontecer -, embora ele exerça influência nos atos daqueles que compõem e assumem o poder.
Não se deve pensar que todos os componentes de um partido político são iguais. Há os corruptos, os incapazes, os competentes e os honestos (sobre a existência destes pairam dúvidas...).
Dessa forma, para que se empregue uma contra-ideologia, faz-se necessário utilizar-se de meios para romper o que caracteriza a ideologia. Este processo é mais eficaz que os pensamentos ideológicos na tentativa da construção de uma política verdadeiramente benéfica à sociedade.
É preciso aplicar a crítica, a análise, a reflexão, a discussão, a fim de desvelar o que há de oculto no discurso ideológico. Quando isso ocorre, o homem liberta-se das ilusões e livra-se da estagnação do pensamento.
EdiçãoÇ P.J.
18.10.06
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