Publicado em: 07/11/2007
Da desnutrição à obesidade, e da obesidade à saúde
Vivemos hoje uma era de transição nutricional no país. Nesses últimos 50 anos passamos por inúmeras mudanças: mais de 80% das pessoas vivem hoje nas cidades, o mercado de trabalho passou do setor primário para o setor terciário, o que por fim modifica também o estilo de vida das pessoas e o modo de se alimentar
A modernização e a industrialização trouxeram um estilo de vida sedentário que favorece, ao mesmo tempo, o consumo excessivo de energia. Alimentos ricos em gordura saturada, açúcar, refrigerantes estão à disposição e são consumidos em quantidade exagerada. E com isso, nascem as gordurinhas que trazem tanto sofrimento para sair.
Através de estudos nacionais e regionais, realizados nos últimos 22 anos, foi possível enxergar um declínio marcante da desnutrição em crianças menores de cinco anos. A baixa estatura, considerada um dos parâmetros para avaliação de desnutrição no passado, reduziu 72% nos últimos 30 anos. O mesmo aconteceu com os adultos com relação ao baixo peso.
Apesar da redução significativa da desnutrição em crianças e adultos no país, vivemos um aumento de excesso de peso e obesidade em crianças e adultos, principalmente em pessoas com nível sócio-econômico mais baixo. Essa mudança radical, da prevalência de desnutrição para excesso de peso e obesidade, diz muito sobre a contradição alimentar que cerca o processo de transição nutricional no país.
As mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho, o que modifica também a alimentação da família como um todo. Os bebês muitas vezes passam por um desmame precoce em função da carga de trabalho materna, além da introdução de alimentos altamente calóricos e pouco nutritivos, mas práticos no dia-a-dia corrido.
As brincadeiras de correr, pega-pega, esconde-esconde dão lugar aos jogos de computador e televisão em função da violência, dos poucos espaços destinados às crianças nas cidades, do pouco tempo dos pais, etc.
A alimentação dos adultos também mudou. Refeições rápidas, como sanduíches, refrigerantes, salgados fritos substituem as refeições saudáveis e completas, como o básico arroz, feijão, salada e carne que as mães preparavam com tanto amor. Alimentos prontos, industrializados de alta densidade calórica também são culpados pelos altos índices de excesso de peso e obesidade.
Aumentamos muito o consumo de carnes, leite e seus derivados, de açúcar e refrigerantes e diminuímos as leguminosas (o tradicional feijão, lentilha, ervilha) hortaliças e frutas.
Que tal mudar esse quadro? Infelizmente existem ainda poucas ações públicas para reverter os índices de excesso de peso e obesidade. Mas pequenas ações, seja de cunho público, de ongs, ou sua mesmo, podem fazer grandes diferenças, como estimular cantinas saudáveis, hortas comunitárias, educação nutricional nas escolas, lutar por uma vida mais saudável.
Que tal deixar os industrializados um pouco de lado e comprar mais frutas, verduras e legumes? Cozinhar também pode ser divertido, além de muito saudável. Incentive os familiares, filhos, amigos e quem puder a comer bem, bons hábitos nascem em casa. E isso inclui deixar o sedentarismo de lado e malhar, seja caminhando ou praticando musculação na academia. Precisamos plantar hábitos saudáveis para colher saúde no futuro.
Fonte: CyberDiet/ Milena Lima
Edição: F.C.
07.11.2007
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