Publicado em: 26/02/2009
As Mulheres e o Cigarro
Há neste momento, no mundo, 250 milhões de mulheres fumantes. É o equivalente a vinte e cinco vezes toda a população da cidade de São Paulo. E as projeções mostram que dentro de 11 anos este número será o dobro: meio bilhão de mulheres a praticar uma forma lenta de suicídio. Sim, porque pelo menos metade destas mulheres morrerá prematuramente, por causa do tabagismo.
Tragicamente as mulheres que fumam apresentam uma tendência maior que os homens fumantes de desenvolver vários tipos de câncer, enfisema pulmonar, osteoporose e envelhecimento precoces, fraturas ósseas, infarto do miocárdio, distúrbios psiquiátricos e tromboses arteriais. Esta maior vulnerabilidade das mulheres aos efeitos maléficos do cigarro está ligado, sobretudo, a fatores hormonais.
O enfisema pulmonar, por exemplo, era até recentemente uma doença do homem fumante idoso. Atualmente tal doença acomete também as mulheres fumantes, nas quais ocorre mais cedo, de modo mais grave e com maiores índices de mortalidade. As mulheres que desenvolvem câncer de pulmão são mais jovens, fumam menor número de cigarros e apresentam maior índice de mortalidade que os homens.
O uso da imagem feminina como instrumento de propaganda dos cigarros tem sido um fator decisivo no aumento do tabagismo entre as mulheres. As peças publicitárias e os filmes (com enredos manipulados pelas técnicas do merchandising) vinculam mulheres fumantes com as conquistas mais gratas ao universo feminino: charme, beleza, prazer, sucesso profissional, conquistas sociais e poder. Todavia a propaganda subliminar não faz qualquer referência ao enormes riscos que o tabagismo representa para as mulheres.
Assim, todos os esforços têm que ser feitos para que as mulheres nunca experimentem um só cigarro, pois também sobre elas a dependência é maior que sobre os homens: mulheres viciam mais intensamente, e têm muito mais dificuldade para abandonar o vício que os homens. Além disso, há que lembrar da tragédia adicional dos riscos da gestação em mulheres fumantes. Por outro lado, mulheres fumantes apresentam índices maiores de complicações decorrentes do uso de anticoncepcionais orais.
Portanto, deve-se desenvolver um intenso e constante trabalho de alerta para que garotas adolescentes nunca aceitem ofertas aparentemente inocentes, do tipo: "...vamos lá, experimenta menina, é tranquilo"! Na verdade ela estará embarcando num vício terrível, numa viagem sem volta, ligando-a, pelo resto da vida, a uma droga que cria uma mortífera dependência química. Se ela não for treinada desde cedo pelos pais, pela escola e pelas campanhas de massa os preços a pagar, individuais e sociais, serão enormes, pois o tabagismo é uma epidemia em escala planetária.
Quando a abordagem do combate ao tabagismo se direcionar à mulher já acometida pela dependência do cigarro as recomendações básicas são:
¤ trabalhar a motivação e o desenvolvimento de habilidades,
¤ monitorar os sintomas referidos durante a abstinência (depressão e ansiedade),
¤ personalizar a abordagem medicamentosa,
¤ reforçar medidas de reorientação alimentar e exercícios físicos para evitar ganhos de peso,
¤ realçar os ganhos da interrupção do tabagismo (diminuição da osteoporose, do envelhecimento físico e mental, da fadiga física, etc),
¤ alertar para os riscos maternos e fetais que ameaçam a gravidez em fumantes,
¤ combater a recaída: este é um fenômeno normal, sendo mais comum nos primeiros 6 meses. A maioria dos fumantes realiza de três a dez tentativas de abandonar o vício, até conseguir sucesso definitivo.
José Cerqueira Dantas, médico.
26.02.2009
Comentários
Últimas: Artigos
- 31/01/2012 - Para sobreviver à liquidação
- 23/01/2012 - Hora de submeter a web a um controle de qualidade?
- 16/01/2012 - O Carcará, as perdas e a genética. E as mulheres.
- 05/01/2012 - Será mais um mico?
- 27/12/2011 - Férias: entre a aventura e o descanso
- 19/12/2011 - As doenças que mais venderão em 2012
- 12/12/2011 - Você é uma pessoa de primeira?
- 28/11/2011 - Não decida no fim do expediente
- 24/11/2011 - O valor simbólico do alimento
- 11/11/2011 - Eu sou criativo?
- Veja Mais
Notícias Relacionadas:
- 06/02/2012 - Resolução da Anvisa mantém veto a cigarro com sabor e libera açúcar
- 01/02/2012 - Mesmo após câncer, 40% dos fumantes continuam a usar o cigarro
- 10/01/2012 - Estudo questiona eficácia de reposição de nicotina para tratar tabagismo
- 20/12/2011 - Cigarro aumenta riscos de câncer de pele em mulheres
- 15/12/2011 - Presidente sanciona lei que proíbe fumódromos em todo o país
- 14/12/2011 - Uma em cada 4 mulheres com câncer de ovário é fumante ou consome álcool
- 13/12/2011 - Entenda como a fumaça do cigarro age no seu corpo


