Publicado em: 08/10/2007
A vida secreta de nossos filhos: qual o limite entre invasão e omissão?
O menino franco virou um adolescente que minimiza a página do MSN para ninguém ver com quem está papeando. A garota que vivia grudada na mãe sai escondida com as amigas. Eles precisam de privacidade, mas os pais ficam perdidos: qual é o limite entre invasão e omissão?
Os adolescentes têm uma vida secreta, que, para os mais precoces e independentes, não raro começa perto dos 10 anos. Por mais que a família se ressinta do fato, esses momentos privados exercem papel fundamental na afirmação da individualidade - permitindo que eles descubram quem são e o que estão fazendo no mundo. O processo tem início bem antes, em geral quando a criança entra na escola e encontra um mundo novo de interesses e brincadeiras, e atinge o ápice na adolescência, marcada por um certo desligamento familiar e pela busca dos próprios objetivos.
Habituados à relação de dependência, os pais entram em choque com o filho que conversa discretamente com a turma pelo programa de bate-papo online MSN (e minimiza a página se alguém se aproxima), cultiva interesses nem sempre vistos em casa com bons olhos e vive intensa e secretamente a sexualidade.
A autonomia é um treino para a vida adulta, mas, nessa fase, ainda não é - nem pode ser - completa. "A capacidade de cuidar bem de si mesmo envolve a consolidação das noções de perigo e de autoproteção", explica a psicoterapeuta Maria Tereza Maldonado, autora de Cá entre Nós- A Intimidade das Famílias.
"Os adolescentes ainda precisam receber proteção contra riscos e cuidado amoroso por parte da família." Esse é o grande nó: como colocar limites e resguardar os filhos dos perigos da vida sem invadir a privacidade deles nem prejudicar seu amadurecimento? "É muito difícil acertar a medida", admite a psicóloga Adriana Garcia, especializada em atendimento a casais e famílias. "Os responsáveis que proíbem tudo ou tentam bisbilhotar cada passo provocam muita raiva no adolescente, o que pode levá-lo a cometer transgressões cada vez mais graves."
Na outra ponta, pais desatentos ou ausentes privam os filhos de referências. "É preciso conhecê-los para aprender a confiar neles", reforça a psicoterapeuta Magdalena Ramos, coordenadora do núcleo de casal e família da PUC-SP e autora do livro E Agora, O que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos. "A solução é conversar muito, explicar o perigo das drogas, estar perto sem fazer marcação cerrada." O que faz a diferença, garantem os psicólogos, são o diálogo, o respeito às diferenças e a presença amorosa.
Muito diálogo nessa HORA
Quanto antes pais e filhos estabelecerem um canal de comunicação eficiente e honesto, maior será a abertura para discutir cada situação nova que aparecer e menor o risco de o jovem fazer algo escondido. A criança obediente de outros tempos precisa agora de conselhos, não mais de ordens. Para os pais que, desde o início, se preocuparam em incentivar as escolhas, não será complicada essa mudança de papel. Porém, para aqueles que sempre foram muito ciosos da sua autoridade, a mudança pode ser difícil. Difícil, mas não impossível. E deve ser tentada.
Celular não é VIGIA
O aparelho ajuda na comunicação, mas é ilusão achar que por meio dele dá para ter controle absoluto sobre a vida da garotada. A vigilância exagerada ao celular deixa o jovem constrangido e o estimula a quebrar as regras para mostrar à turma que não é tão monitorado quanto parece. O ideal é fazer uso do aparelho de forma pontual e moderada.
Convite à TRANSPARÊNCIA
Se é verdade que o adolescente precisa ter segredos, é igualmente certo pensar que em algum momento ele terá necessidade de revelá-los. Caso fique angustiado e sinta que tem espaço, provavelmente vai procurar alguém em casa para falar. Em alguns casos, pode até dar um jeito de os pais perceberem o que está havendo. Haverá situações em que o jovem vai manter seu mundinho secreto. Os pais terão que se posicionar diante de cada questão, perguntando-se periodicamente (e respondendo com honestidade) se estão sendo superprotetores, invasivos ou permissivos demais.
Corpo-a-corpo não RESOLVE
Em alguns momentos, o jovem precisa ficar longe dos olhos dos pais. É papel deles orientar, conversar, mas não controlar tudo a todo instante. O controle abusivo deixa o adolescente irritado e, às vezes, mais tentado a fazer coisas sem o conhecimento dos pais para conquistar seu espaço.
Sem medo do COMPUTADOR
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Drogas, o pior PESADELO
Uma das maiores preocupações dos pais é em relação ao uso de drogas. Vale ressaltar, no entanto, que elas não têm espaço real na vida do adolescente que vai bem na escola, pratica esportes e cultiva amizades e vínculos afetivos positivos - ainda que ele possa experimentá-las. Os pais não devem vigiar, controlar e bisbilhotar o que supostamente os filhos fazem de errado, cabe a eles ajudar o adolescente a se sentir melhor, ressaltando o que faz de bom.
Casa CHEIA
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Mil e uma BALADAS
É importante resistir aos argumentos típicos da fase teen - "Todo mundo faz" ou "Vocês são caretas demais" - e estabelecer limites protetores claros em relação a horários e programas sociais. Ele vai para a balada? Não tenha pudor de se informar sobre o tipo de festa, as companhias, se está adequada à faixa etária e se a localização é segura.
É interessante ainda que os pais se revezem na hora de levar e buscar. Assim, todo mundo observa os ambientes freqüentados pelos adolescentes.
Fonte: Revista Claudia
Edição: F.C.
08.10.2007
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