Publicado em: 10/11/2011
Vem aí uma crise ainda pior que a de 2008, alerta Jim Rogers
O mundo está caminhando para uma nova crise financeira, ainda pior do que a observada em 2008, principalmente por conta da difícil situação de dívida pública nos países na Europa, declarou nesta quarta-feira o mítico gestor de fundos Jim Rogers, em entrevista concedida à rede de televisão americana CNBC. “Nós certamente veremos novas crises surgindo nos Estados Unidos e na Europa; o mundo está em apuros”, alertou Rogers. Segundo o megainvestidor, os países têm gasto uma quantidade enorme de dinheiro como não se via há décadas, e agora estão colhendo os efeitos negativos disso.
“A nova crise será pior que a de 2008 porque a dívida dos países é muito maior neste momento”, revelou Rogers, que ficou famoso por ter sido o sócio de George Soros no Quantum Fund, que obteve uma rentabilidade de 4.200% em seus primeiros dez anos de vida.
O guru dos investidores explica que, em 2008, os Estados Unidos quadruplicaram sua dívida pública para barrar os efeitos negativos da crise, e alertou que agora a situação é diferente. “O sistema é agora muito mais extenso e a maior economia do mundo não tem condições de quadruplicar novamente seu endividamento para suportar mais uma turbulência. A Grécia não pode dobrar a sua dívida também. Ou seja, a próxima crise será muito pior”, disse.
“Em 2002, (a crise) foi ruim. Em 2008, foi pior. Em 2012 e 2013 será pior ainda – portanto, tomem cuidado”, destacou Rogers. Como solução, ele sugeriu para que todos em dificuldade decretem falência. “Chame todos numa sala e diga que você irá a ‘falência’. Você irá sobreviver e todos seguirão seu caminho. Nós nos certificaremos de que seus cheques estarão limpos. Os depósitos de todos estarão garantidos e o sistema irá sobreviver”, afirmou.
Rogers toma como exemplo a possibilidade de a Grécia abandonar a Zona do Euro, fato este que seria “desastroso”, já que o país europeu retornaria ao seu estado monetário anterior, classificado por ele como “forma das antigas”. “Eles (o governo grego) iriam começar a imprimir dinheiro. Ninguém lhes concederia empréstimos. A inflação iria disparar e a economia ficaria cada vez pior”, previu.
"Seria melhor se nós pudéssemos segurar o euro juntos e reorganizar. As pessoas estão ‘falidas’ e quando isso ocorre devemos enfrentar a realidade. A ideia é reorganizar os ativos, atrair gente competente e começar de novo sobre uma nova base”, disse Rogers.
Câmbio
![]() Jim Rogers (foto: Wikimedia Commons) |
“Todas as moedas estão em péssimo estado, mas ainda espero ganhar dinheiro com elas”, concluiu.
A Itália precisou oferecer nesta quinta-feira uma taxa de juros recorde de 6,087% em uma emissão de bônus da dívida soberana a um ano por 5 bilhões de euros
O custo crescente de financiamento da dívida soberana da Itália constitui uma ameaça para a economia real, advertiu nesta quinta-feira o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn.
"A muito curto prazo, o impacto (das taxas em alta) sobre a dívida soberana não é tão dramático, mas relativamente em breve, no próximo ano e a médio prazo, isto terá um impacto significativo nas condições de financiamento e, portanto, no crescimento da economia real", afirmou Rehn.
A Itália precisou oferecer nesta quinta-feira uma taxa de juros recorde de 6,087% em uma emissão de bônus da dívida soberana a um ano por 5 bilhões de euros (6,8 bilhões de dólares), anunciou o Banco da Itália.
Esta taxa duplica praticamente a da última emissão realizada por um prazo similar (a 3,57%) no dia 11 de outubro.
A captação é a primeira realizada desde o anúncio na terça-feira da renúncia iminente do chefe de governo, Silvio Berlusconi, pressionado pelos mercados e por seus sócios europeus para aplicar uma série de ajustes que permitam à terceira maior economia da Eurozona enfrentar sua pesada dívida (1,9 trilhão de euros, 120% do PIB).
A taxa das obrigações italianas a 10 anos alcançou nesta semana um recorde, ao superar os 7% (chegando a 7,483%).
Mas nesta quinta-feira se reduziu, após o anúncio da possível substituição de Berlusconi por Mario Monti.
Às 11h18 (8h18 de Brasília), o rendimento das obrigações italianas era de 6,947%.
Fonte: Exame
Edição: F.C.
10.11.2011
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