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Publicado em: 26/08/2010

Uma chance para a vida

Quem pensa que o Hospital Veterinário da UFPI é apenas um centro de tratamento de cães e gatos de estimação pode se surpreender. O HVU é o único hospital veterinário do Norte-Nordeste que oferece atendimento 24 horas, funcionando também como um espaço de aprendizagem para estudantes que vivenciam experiências únicas no tratamento de diversas especies. O que inclui animais silvestres como um simpático jabuti (Geochelone carboraria) que chegou às mãos da equipe médica do Hospital no mês de abril para ter a chance de sobreviver.

O jabuti de idade avaliada entre 8 e 10 anos chegou ao HVU enviado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) após ter sido atropelado por um veículo. Como conseqüência, teve um afundamento no seu casco que ocasionou uma  grave lesão na coluna, comprometendo o movimento das patas traseiras e deixando-o com uma espécie de paraplegia. O caso chamou a atenção do Prof. Dr. Marcelo Campos, que juntamente com seus alunos desenvolveu uma solução criativa para que o animal tenha a possibilidade de se movimentar.

0 Professor se utilizou da experiência bem-sucedida na reconstituição do casco de um cágado para desenvolver uma alternativa que não só recuperasse a fratura e afundamento provocados pelo acidente, mas que também possibilitasse a fixação de um mecanismo que pudesse permitir mobilidade para o jabuti. "No casco, nós fizemos uma estrutura com arame cirúrgico e cobrimos com acrilico polimerizado, um material bem resistente que já utilizamos para reconstituir o casco de um cágado.Em seguida, utilizamos esse mesmo material na parte de baixo do jabuti e fixamos duas rodinhas entre as patas traseiras, que vão funcionar como um tipo de fisioterapia",  descreve Marcelo Campos.

Professor Marcelo Campos e Patrick Mourão com o jabuti

Professor Marcelo Campos e Patrick Mourão com o jabuti

As rodinhas funcionam como um aparelho fisioterapéufico, já que elas estimulam o movimento das patas comprometidas pela lesão para compensar a diferença entre a altura das patas dianteiras e as rodinhas. Além disso, permite que o jabuti possa se deslocar em superficies lisas. "Com essa limitação, o animal não tem mais condições de viver em seu habitat natural", avalia o professor.

O estudante do último período de Medicina Veterinária, Patrick Mourão, colaborou na realização da experiência e nunca imaginou participar de um tratamento tão inusitado. “O Prof. Marcelo procurou melhorar muito a qualidade de vida do animal permitindo uma melhor mobilidade com essa adaptação feita através das rodinhas. Nunca pensei em participar de um tratamento tão diferente”, afirma.

O jabuti está sendo monitorado pela equipe do HVU para avaliar as respostas ao tratamento que visa recuperar as suas habilidades motoras. Os resultados do trabalho estão sendo documentados periodicamente e vão se transformar em um artigo cientifico que vai evidenciar o HVU como um espaço de produção de conhecimento e de melhoria da qualidade de vida dos animais. Sejam eles domésticos ou não.

Amanda Neco

25/08/2010

*Matéria publicada no jornal da UFPI em maio de 2010

 


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