Publicado em: 30/03/2011
Tocar instrumentos musicais impulsiona o raciocínio e a memória
Quem nunca se perguntou como a cabeça, embora compacta, consegue armazenar, assimilar e processar tantas informações que queime o primeiro neurônio. Mas a notícia positiva é que essa questão pode ser respondida de maneira simples: a massa cinzenta utiliza cada uma de suas áreas para várias funções. Ou melhor, para tarefas genéricas que estão sempre presentes no nosso dia a dia, como raciocinar, expressar-se, movimentar-se e por aí vai. Em outras palavras, se você ativa uma dessas regiões, vai desenvolvê-la e, consequentemente, patrocinará todas as atividades influenciadas por ela.
O problema, no entanto, é saber quais atitudes podem culminar em melhoras significativas dentro do crânio. Afinal, nem tudo o que fazemos turbina a mente (veja o quadro à direita). Uma das coisas que vêm mais chamando a atenção dos cientistas é a música. Em uma revisão de artigos da Northwestern University, nos Estados Unidos, pesquisadores chegaram à conclusão de que tocar um instrumento aperfeiçoa a habilidade de guardar memórias e de conseguir permanecer atento por um bom período. “Manipular sons altera profundamente as conexões cerebrais”, reforça a neurobióloga Nina Kraus, uma das que assinam o trabalho. “Músicos também desenvolvem muito a área comunicativa, a capacidade de leitura e até o potencial para aprender uma língua estrangeira”, acrescenta.
Como se isso fosse pouco, quando você dedilha as cordas de um violão, por exemplo, está mexendo com a região motora primária, localizada no lado esquerdo da cachola. Então, contribuirá para aprimorar sua coordenação motora em diversos exercícios diários que exigem precisão. Por outro lado, o fato de conseguir tocar acordes na hora certa — ou saber usar uma baqueta para emitir sons com uma bateria — aprimora o que chamamos de ritmo. “Isso mexe com uma estrutura mais analítica do encéfalo, responsável também pelo pensamento lógico”, ensina Mauro Muszkat, neurologista da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.
Muitos pesquisadores afirmam que, para afiar as células neuronais, o melhor a fazer é realizar atividades, como tocar flauta, em vez de deixar passivamente que o estímulo — a melodia de uma composição, por exemplo — chegue até o cérebro. Mesmo assim, o ato de ouvir uma canção, comprovam estudos e mais estudos, também dá um gás às habilidades cognitivas. “A música pré-ativa várias áreas cerebrais. Com isso, ela pode facilitar o processamento de uma segunda tarefa”, revela Muszkat, da Unifesp. Isso quer dizer que fica mais fácil se concentrar e ralar a valer logo após se deleitar com uma bela harmonia.
Hoje, é bastante comum ver gente trabalhando com o fone de ouvido o dia inteiro. Essa atitude, todavia, não é para todos. “Quem se envolve demais com uma melodia pode perder a atenção”, contrapõe Renato Sabbatini, neurocientista da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista.
Fonte: Revista Saúde
Edição: A.S.
30/03/2011
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