Publicado em: 21/12/2011
Pais que participam do cuidado dos filhos têm ganhos cerebrais
Parte da razão disso pode estar no custo energético do longo período da infância dos humanos, sugere o aluno de pós-graduação Lee Gettler, do Laboratório de Pesquisa em Biologia Humana da Universidade Northwestern, em Illinois, em um artigo publicado em 2010 na American Anthropologist. Como em sociedades primitivas que sobreviviam da coleta e da caça era comum andar vários quilômetros por dia, os homens devem ter carregado os filhos menores, diminuindo assim a peso das mães e outras pessoas mais fracas que ajudavam a criar os filhos, como as avós. Um pai provedor poderia ter adquirido uma vantagem evolucionária ao permitir que a mãe refizesse suas forças e produzisse mais filhos.
Participar ativamente dos cuidados dos filhos faz sentido evolucionário também para os homens dos dias de hoje. Uma teoria sugere que os machos se dedicam a cuidar dos filhos para exibir suas habilidades como parceiros. “Essa situação pode ajudá-los a manter sua companheira atual ou até a atrair novas”, afirma o antropólogo Shane J. Macfarlan, da Universidade do Estado de Washington. Alguns estudos revelam que os homens são mais propensos a atender às necessidades de seus filhos em lugares públicos, como no parquinho e no supermercado, do que em casa.
Vários estudos biológicos e psicológicos oferecem -insights sobre a paternidade em sociedades urbanas industriais – meros relances considerando as centenas de milhares de anos durante os quais os humanos viveram da coleta e caça em grupos extremamente organizados.
Um estudo sobre paternidade de pequena escala em sociedades contemporâneas realizado por Macfarlan e Barry S. Hewlett, também da Universidade do Estado de Washington, mostra grande variedade entre as culturas. Por exemplo, o povo kipsigi, do leste da África, acredita que a força do olhar do pai pode ferir a criança, por isso os homens permanecem completamente afastados dos filhos nos primeiros quatro ou cinco anos após o nascimento. Já os pais do grupo aka, coletores e caçadores da África central, procuram manter-se normalmente a um braço do alcance de seus filhos.
Por trás das diferenças, a mensagem é clara: não existe um padrão universal para a paternidade.
Fonte: Mente e Cérebro
Edição: C.P
21.12.2011
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