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Publicado em: 02/09/2010

Novas gerações são mais conscientes dos malefícios do cigarro

Numa evidência de que as políticas antitabagistas vêm surtindo efeito, pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou que, em duas décadas, a parcela de fumantes da população brasileira com mais de 18 anos reduziu-se quase pela metade. Se em 1989 33% dos cidadãos nessa faixa fumavam, 20 anos depois o percentual caiu para 18%.

Considerando-se os maiores de 15 anos, 17,5% da população do país consome tabaco -o que corresponde hoje a cerca de 25 milhões de pessoas. No México, a proporção de fumantes é de 15,9% e, na China, de 27%.

Na divisão por gênero, 22% dos brasileiros e 13% das brasileiras são tabagistas. De acordo com o levantamento, divulgado nesta semana, as mulheres começam a fumar antes que os homens -e também os antecedem no abandono do vício. A gravidez seria uma das explicações para esse comportamento.

Como previsível, a presença de fumantes é maior na faixa de 45 a 64 anos. São pessoas de um tempo em que o cigarro brilhava em comerciais da TV, podia ser acendido em aviões e era tido por muitos como vício elegante.

As advertências públicas acerca dos males do fumo apareceram na década de 1960. Os britânicos, em 1962, foram os primeiros a exigir que produtos derivados do tabaco estampassem avisos sobre potenciais riscos à saúde.

Na prática, esses alertas pouco significaram. Foi só a partir da década de 1980 que o combate ao cigarro virou política pública. Hoje, o tabaco é considerado o principal fator de mortalidade passível de prevenção. Um verdadeiro cerco a seu uso foi organizado por meio de medidas restritivas.

Um dos principais argumentos esgrimidos pela cruzada antitabagista é o custo que os fumantes representam para a saúde pública. Já há até planos privados que cogitam oferecer descontos caso o conveniado não fume ou abstenha-se de consumir álcool.

Faz sentido que Estado e empresas pautem-se pela eficiência. No entanto, a tentativa de precificar hábitos, vícios e comportamentos requer alguma moderação. Não só pelas incertezas inerentes a esse tipo de cálculo mas pelo risco que pode representar ao livre-arbítrio.

Fonte: Folha de São Paulo
Enviada por JC
Edição:F.P.
02.09.2010


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