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Publicado em: 23/10/2009

Ministério Público investiga irregularidades em hospital

O Hospital Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos deverá iniciar a oferta de tratamento para clientes que dependem de radioterapia. Parte dos pacientes que dependem do atendimento só conseguia acesso ao serviço em Santo André, no ABC. O hospital rescindiu o contrato com a empresa que prestava o serviço depois que o Ministério Público iniciou investigação para saber quantas e quem são as pessoas que passaram pelo atendimento nos últimos três anos.
 
O diretor clínico do hospital, Mário Cardoso, afirmou que não soube de qualquer irregularidade e que se soubesse seria o primeiro a denunciar. De acordo com ele, o hospital termina a instalação de uma nova máquina de cobalto e aguarda a chegada de pastilhas de cobalto importadas dos Estados Unidos.

O programa de Tv 'Fantástico' mostrou que a máquina de cobalto usada nas sessões de radioterapia desde 2006 estava sem licença de funcionamento e ainda apresentava alto risco de saúde pública, mas o equipamento só foi encostado neste ano. Cardoso disse que o aparelho mostrado na reportagem será removido para um ferro-velho e que o hospital já instala um novo equipamento.

O Ministério Público investiga também outra irregularidade no setor de radioterapia. A suspeita é que o hospital oferecia e cobrava por um tipo de tratamento para o câncer de próstata que não tinha condições de fazer por falta de recursos tecnológicos.

O contrato mostra que o preço cobrado era R$ 5.500. "As vítimas eram enganadas. O serviço não era prestado da maneira como foi convencionado com ela. A pessoa pagava pelo tratamento e não se submetia a ele", explica o promotor de Justiça, Cássio Conserino.

O médico responsável pelo setor contesta. "Essa técnica que nós executamos aqui, o serviço tinha condições de executar. Vários serviços de radioterapia simples tem capacidade de fazer isso", afirma o médico, Hilário Cagnacci.

No relatório final da sindicância, o médico admite que usava essa técnica em caráter piloto e, o mais grave, sem avisar os pacientes. "Imediatamente a Beneficência atuou, fechou o serviço e encaminhou para a comissão de ética médica para que se apure e puna se é que tem que punir se existe realmente irregularidade", disse o Presidente da Beneficência Portuguesa de Santos, Ademir Pestana.
 
O promotor diz que não há impedimentos para a retomada do tratamento, prometida para o próximo dia 20. “O serviço é de utilidade pública, tem que retomar mesmo”, afirmou. De acordo com ele, a investigação se concentra entre 2006 e março de 2008 e ocorre com base em laudos que indicavam a troca da pastilha usada na máquina antiga.

 

Fonte: G1
Edição: F.C.
23.10.2009


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