Publicado em: 27/01/2012
Mais do que nutrir bebês, a placenta participa do desenvolvimento cerebral
A placenta é um órgão essencial para a vida humana. É o único órgão fugaz do organismo. Em seu curto período de existência, a placenta funciona como uma barreira de proteção para o feto, levando oxigênio e nutrientes essenciais da mãe até ele. Cientistas estão estudando as suas funções e vendo que ainda há muito a aprender: a placenta protege ativamente o feto e participa do desenvolvimento neurológico durante a vida intra-uterina.
Em estudo publicado recentemente, cientistas ingleses mostraram que quando uma mãe cobaia (rata) é privada de alimentos, a placenta assume a situação quebrando seu próprio tecido para nutrir o cérebro do feto em desenvolvimento.
Cientistas da University of Southern California's Zilkha Neurogenetic Institute (ZNI) e colaboradores em seus estudos relatam que a placenta – e não a mãe – é que fornece o hormônio serotonina para o desenvolvimento cerebral em estágios precoces da vida intra-uterina.
Já que os hormônios têm um papel essencial no cérebro em formação, antes de funcionarem como neurotransmissores no cérebro, alterações da placenta podem diretamente influenciar o risco de desenvolvimento de depressão, ansiedade e até mesmo autismo.
Como resultado, “precisamos ter mais atenção na saúde e bem-estar da placenta”, diz Pat Levitt, diretor do ZNI e co-autor de estudos sobre a importância da placenta no desenvolvimento cerebral.
Estes estudos são tão novos que ainda precisam ser nominados. Anna Penn, neurobiologista e neonatologista da Stanford University, chamou-os de “neuroplacentology”. Os estudos desta pesquisadora estão focados no impacto que os hormônios placentários têm no desenvolvimento cerebral a partir da vigésima semana de gestação. Seu objetivo principal é estabelecer como bebês prematuros são afetados pela perda desses hormônios com o parto prematuro e encontrar uma maneira de compensar este déficit. O que era pensado sobre a placenta está mudando, diz Penn, mas ainda há muito a ser aprendido.
Fonte: Zilkha Neurogenetic Institute – University of Southern California
Edição: F.C.
27.01.2012
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