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Publicado em: 15/03/2010

Mais de 90% dos traumas dentários não são tratados

Um estudo realizado pela Faculdade de Odontologia da USP revelou que mais de 90% dos traumas dentários sofridos por crianças em idade pré-escolar não passam por nenhum tipo de tratamento.

Segundo Marcelo Böenecker, orientador da pesquisa, os pais não procuram o dentista porque acreditam, equivocadamente, que a fratura não traz grandes consequências. "Mas o trauma não tratado afeta a aparência, a habilidade para comer e falar apropriadamente e o bem-estar psicossocial, além de poder causar sequelas biológicas", afirma.

Os pesquisadores examinaram mais de 3.200 crianças, de cinco meses a cinco anos de idade, em Diadema (Grande São Paulo). Em 2002, 9,4% delas tinham sofrido algum trauma dentário. Dois anos depois, eram 12,9%, e, em 2006, 13,9%.

Para a consultora em odontopediatria da Associação Brasileira de Odontologia, Márcia Vasconcelos, quando o trauma é pequeno, os pais costumam postergar a visita ao dentista e acabam se esquecendo depois, o que não poderia ocorrer.

"Qualquer trauma é motivo para ir ao dentista, porque mesmo os mais leves podem machucar a língua, o lábio. E os mais graves devem ser vistos (pelo dentista) imediatamente, pois o sucesso do tratamento depende do tempo entre a ocorrência e o atendimento", afirma a dentista.

Dependendo do impacto, o dente pode quebrar, deslocar ou ser expulso da boca. Em casos mais graves, o dente permanente, que está em formação nessa idade, também pode ser afetado e até perdido.

A fratura mais frequente, no entanto, ocorre no esmalte e, às vezes, também na dentina (camada abaixo do esmalte). Nesses casos, a restauração é um processo simples.

Fatores anatômicos -como sobressaliência dos dentes (quando os superiores estão deslocados para a frente), sobremordida (quando os dentes de cima escondem os inferiores) e lábio curto, que não cobre os dentes- foram significativamente associados ao problema, assim como fatores individuais, como pé plano (ou pé chato), obesidade e baixa visão, que prejudicam o equilíbrio.

Segundo Böenecker, há muita informação sobre cárie, mas pouca sobre trauma dentário. "Os pais não sabem que ele pode ser prevenido", diz.

O cirurgião-dentista Márcio Moraes, coordenador do curso de pós-graduação em cirurgia bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Unicamp, coleta desde 1999 dados sobre a ocorrência de traumas dentários nas Santas Casas de Rio Claro e de Limeira, no interior de São Paulo.

De acordo com ele, a incidência do problema vem aumentando nos últimos anos entre pessoas com mais de 18 anos -e os maiores culpados são a agressão física e os acidentes motociclísticos.

"Já entre crianças de até seis anos de idade, o número subiu e depois desceu. Para essa faixa etária, pode ser coincidência ter havido mais quedas em determinado período do que em outro", afirma.


Fonte: Folha Online
Edição: P.R
15.03.2010


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