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Publicado em: 26/04/2010

Médico ensina a prevenir hipertensão, doença que afeta 24,4% dos brasileiros

A proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial cresceu de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009. Os dados fazem parte de levantamento anual do Ministério da Saúde e foram divulgados nesta segunda-feira (26), Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.

O médico cardiologista Cláudio Mendes avalia que este aumento se deve ao modo de vida que as pessoas têm adotado. Mais pessoas, cada vez mais cedo, estão envolvidas em muito trabalho, o que causa estresse; sedentarismo, e alimentação à base de enlatados e fast food, que contém muito sal, mesmo que o sabor não seja tão perceptível.

"Agora não se fala mais em grupos de risco, e sim em comportamentos de risco", diz o médico. Há até bem pouco tempo, a hipertensão era comumente diagnostificada em homens acima de 40 anos e em mulheres acima de 50. Hoje, pessoas mais jovens já apresentam a doença, exatamente por adotarem um modo de vida sem os cuidados necessários.

Para evitar a hipertensão, as pessoas devem fazer o que é bom para prevenir outras doenças também, como evitar os vícios (cigarro e álcool), praticar exercícios físicos e adotar uma alimentação balanceada. Estas atitudes são acessíveis a cada indivíduo, mas há fatores de risco imutáveis, como lembra o cardiologista. "A questão familiar é difícil de mudar. Se há pessoas na família com histórico de hipertensão, não há muito o que fazer para combatê-la, mas as demais medidas devem ser adotadas", reforça.

A ideia é a mesma defendida pelo Ministério da Saúde, que lançou campanha nesta segunda para enfrentar o avanço da doença no Brasil. A mensagem principal da campanha é: prevenir a pressão alta depende de escolhas individuais. São enfocadas ações como diminuir a quantidade de sal na comida e manter o peso saudável. As peças da campanha incentivam o consumo de frutas e hortaliças e a prática frequente de exercícios.
 
A preocupação principal quanto à doença é que ela é uma inimiga silenciosa da saúde porque não tem sintomas. Por isso, as pessoas devem medir regularmente a pressão e checar se ela está dentro da média, que é de 12 por 8. Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento e pode ser controlada por medicamentos.

Retrato nacional - A pesquisa do MS feita com 54 mil adultos (Vigitel) revela que a prevalência da doença, de 2006 a 2009, aumentou em todas as faixas etárias, principalmente entre os idosos. Atualmente, 63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema contra 57,8%, em 2006. 

O percentual de hipertensos não passa de 14% na população até os 34 anos. Dos 35 aos 44 anos, a proporção sobe para 20,9%. O índice salta para 34,5%, dos 45 aos 54, e para 50,4%, dos 55 aos 64 anos. Esse aumento na ocorrência da doença, de acordo com a idade, é resultado de padrões alimentares e de atividade física ao longo da vida, além de fatores genéticos, estresse e outros determinantes. 
 
De acordo com o Vigitel, a proporção de hipertensos é maior entre mulheres (27,2%) que entre homens (21,2%). A pesquisa também aponta que, quanto menor a escolaridade, mais casos da doença são diagnosticados. Entre os adultos com até oito anos de educação formal, 31,5% declaram que têm hipertensão. O porcentual cai para 16,8% se considerado o grupo de pessoas de nove a 11 anos de instrução.
 
Saiba mais sobre a Hipertensão
A pessoa é considerada hipertensa quando a pressão arterial é igual ou superior a 14 por 9. A doença é causada pelo aumento na contração das paredes das artérias para fazer o sangue circular pelo corpo. Esse movimento acaba sobrecarregando vários órgãos, como coração, rins e cérebro. Se a hipertensão não for tratada, algumas das complicações são: entupimento de artérias, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto.


P.R
Com informações do Ministério da Saúde
26.04.2010


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