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Publicado em: 01/06/2010

Irmãos amigos

Gêmeos que só andam grudados, irmãs colegas de trabalho, confidentes e comadres, irmãos que são parceiros musicais. Ter um irmão aliado e cúmplice parece ser melhor negócio que tê-lo como rival. Pelo menos é o que mostram os relatos de familiares que são categóricos ao dizer que o irmão é o melhor amigo e que, sem ele, é difícil ficar. Os pais podem colaborar com o surgimento desse tipo de relação entre os filhos, mas o que conta mesmo é a afinidade entre eles.

Quando crianças, as empresárias Paula Lofego, 33 anos, e Bruna Lofego, 31, por terem aniversário muito perto uma da outra, achavam que eram gêmeas. A mãe colaborava com a fantasia, fazendo com que vestissem roupas iguais. Também sempre dizia que elas tinham que ser amigas. “A relação entre eu e Paula sempre foi de uma ligação emocional muito forte. Quan­do pequenas, dividíamos o mesmo quarto, as mesmas roupas e até juntávamos a mesada para gastarmos juntas”, lembra Bruna.

Para ela, fator que fez com que a amizade ficasse mais sólida foi um evento na infância. “Cons­truímos um laço. Acho que, talvez, por nossos pais terem se separado quando éramos crianças”, observa. As duas concordam, no entanto, que a personalidade de cada uma ajudou no bom relacionamento.

Hoje, elas continuam amigas, mas são mais que isso. Trabalharam juntas na empresa da família por cinco anos e, apesar de morarem em cidades diferentes, não deixam de manter a união. “A gente se fala todos os dias. Caso contrário, mandamos mensagem uma para a outra”, conta Paula. Além disso, a irmã mais velha acabou de ser mãe e adivinha quem será a madrinha do bebê? Bruna, como não poderia deixar de ser.

O professor do Departamento de Psicologia da UFMG e mestre em Psicologia Social Orestes Diniz observa que os pais não podem ser responsabilizados 100% do que acontece nos relacionamentos entre os filhos. “O ambiente familiar pode ter importante peso conforme o sistema de fraternidade que vai organizando, mas varia de cultura para cultura. Na nossa, os irmãos são os primeiros aliados, mas, também, os primeiros rivais”, diz.

Ele esclarece que isso ocorre porque é com os irmãos que as pessoas aprendem a dividir e a disputar. Os pais podem favorecer ou facilitar o relacionamento. “Devem ser justos. Não têm que tratá-los com igualdade, mas conforme o que cada um precisa.”

Irmãos
Wilson Sideral e Rogério Flausino: infância fortalecida
Famosos, talentosos e músicos. Wilson Sideral, 34 anos, e Rogério Flausino, 37, apesar de terem carreiras independentes, mantêm a ligação que construíram na infância sempre fortalecida. Uma mostra dis­so é o repertório do Jota Quest, grupo de Flausino. Muitas das canções de sucesso têm o dedo de Sideral. Por exemplo, Na Moral, Fácil e Não Somos Iguais.

No caso dos dois, a família teve peso enorme para o nascimento da amizade. “Nos­sa família sempre foi muito unida, muito musical. E nós crescemos nes­se meio, de muito amor, união. Nós quatro (os quatro irmãos) somos amigos”, afirma Sideral.

Segundo ele, a proximidade com Flausino foi aumentando por causa da pouca diferença de idade e da música. “Divi­dimos as primeiras experiências musicais, ouvimos o primeiro disco do Legião Urbana juntos, montamos a primeira bandinha”, lembra. Naturais de Alfenas, no Sul de Minas, eles estiveram unidos até na mudança para Belo Horizonte. Flausino veio primei­ro, para fazer estágio em uma agência de publicidade, e Side­ral logo depois para participar de uma banda. “A gente tem ligação além da de sangue, um quê a mais, uma sintonia no jeito de ser.”

A mãe dos músicos, Maria das Graças de Oliveira, conta que a amizade entre os filhos sempre foi uma preocupação dela e do marido. “Quando o Rogério era adolescente, a gente insistia para ele sempre levar o Wilsinho nas festas. Hoje, a gente vê que isso é um erro, porque cada um tem seu momento, mas o Rogério sempre levava”, lembra. Segundo ela, as famílias do casal são muito unidas e isso servia como espelho para os filhos, sobrinhos e netos. “Acho que esse exemplo foi mais importante que qualquer conselho.”

De acordo com a professora de Teorias do Desenvolvimento da Criança da PUC Minas, Paula de Souza Birchal, realmente, os pais não têm que insistir ou tentar obrigar os filhos a serem amigos. “A amizade é algo que depende do amor. Precisa existir afeto. O outro precisa ter um significado para mim para ser meu amigo”, destaca. Segundo a psicóloga, esse tipo de relação se desenvolve com o tempo. “Para saber se gosto da pessoa, eu tenho que provar para saber se será bom para mim”, diz.

A colaboração dos pais no processo deve ser a de criar ambiente de boa convivência, não de disputa, valorizando cada um dos filhos em seu devido lugar. O mais importante, acrescenta, é que não existe uma receita pronta, mas, sim, flexibilidade. O que predomina é a história de cada família.

Amor, amizade e união não faltam entre Guilherme e Raphael Soares, 22 anos, gêmeos univitelinos. Tudo o que podem, fazem juntos – passeios no final de semana com as namoradas, encontros familiares, trilhas em moto. Segundo Guilherme, desde pequeninos, os dois andavam grudados. Foram crescendo e nada mudou. São os melhores amigos um do outro, confidentes e cúmplices. Cursaram todos os anos da escola na mesma sala.

“Teve um ano que tentaram separar a gente, mas não deu certo porque nossas notas baixaram. Aí, tiveram que voltar a gente para a mesma sala”, lembra Raphael. Hoje, eles estudam cursos diferentes – Guilherme está na tecnologia da informação e Raphael, na educação física –mas, para não perder o costume, na mesma faculdade.

Além de estarem sempre juntos, os dois fazem questão de ser parecidos. Gêmeos idênticos, mantêm o mesmo corte de cabelo e estilo de se vestir. “Acho que a gente gosta de se parecer”, diz Raphael.

Os irmãos contam que o ambiente familiar influenciou na amizade dos dois, mas consideram que a afinidade foi mais importante. “Gostamos das mesmas coisas”, observa Guilherme. Um dos poucos fatores que os distingue é o gosto por esporte. Raphael adora, e Guilherme mantém certa distância. Apesar disso, Raphael conseguiu encontrar um que conquistou o irmão: a trilha de moto. “Comecei a fazer e, aí, ele gostou e foi também”, conta. Hoje, os dois saem juntos nas motos para o meio do mato aos domingos pela manhã em mais uma oportunidade para se curtirem.

Todas juntas e Emboladas

Mariana, 35 anos, Joana, 33, e Paula, 31. Todas Mourão. Irmãs, amigas e, mais, colegas de trabalho. Difícil é conseguir falar quando as três estão juntas. Difícil também é ouvir. Cada hora uma se posiciona, e a opinião de uma vem sobre a da outra, depois a outra. Haja atenção! Mas elas são assim e é desse jeito que combinam.

Dão tão certo que, mesmo ficando junto o dia inteiro no trabalho, saem para almoçar em grupo e não deixam de agendar programas nos fins de semana e feriados. “Acho que a gente gosta de ficar junto”, diz Paula.

A amizade entre as três começou lá atrás, na infância. A mãe, a empresária Cláudia Mourão, fazia questão de as três dormirem no mesmo quarto. Ir para a escola também juntas. Atividades extras, idem. Televisão, só na sala para não desagregar a família, e as refeições, sempre em grupo. Assim foi. O costume foi criado, a amizade, solidificada e, hoje, quando uma não está, as outras duas sentem falta. A família paterna foi outra inspiração. A avó, que tinha 12 filhos, conseguiu criar todos unidos e amigos.

Trabalhar junto foi opção, gosto. “Quando éramos criança, não brincávamos de bonecas, mas de lojinha, porque a gente via a mamãe sempre trabalhando”, conta Joana. Hoje, na empresa, cada uma tem uma função: Mariana é diretora financeira, Joana, diretora de estilo, e Paula, diretora de compras e logística. Elas garantem que a divisão dá certo. “Os papéis são muito bem definidos. Uma respeita a outra”, afirma Joana.

No campo pessoal, entram na vida uma da outra, brigam e fazem as pazes logo depois, mas não admitem que alguém de fora faça qualquer coisa que magoe uma delas. “Brigou com uma, brigou com as três”, diz Mariana. Ela já tem dois filhos, de 4 e 6 anos, e tenta estimular a amizade entre eles da mesma forma como a mãe fez. Paula está grávida e Joana está sob pressão para também ter neném e aumentar a família.

Um ponto de tensão entre as três é a escolha de quem vai ser madrinha. Joana batizou  um dos filhos de Mariana e Paula, o outro. O filho de Paula vai ser apadrinhado pelo marido de Mariana e, agora, Joana precisa ter três filhos, dois para as irmãs amadrinharem e um para a família do pai da criança. É o que Mariana e Paula dizem.

Joana fica calada. É assim o tempo todo a conversa entre as três, uma dando opinião sobre a outra, entre risos e puxões de orelha. “A gente tem muita cumplicidade com a outra”, diz Mariana. “Minhas irmãs são as mulheres que mais admiro”, completa Joana. “Sou apaixonada por elas”, finaliza Paula.

 

Fonte: Revista Viver Brasil
Enviada por JC
Edição: F.C.
01.06.2010


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