Publicado em: 13/11/2007
Internet: inimiga ou aliada?
É essa a pergunta que milhares de médicos se fazem todos os dias diante do crescente número de pacientes que, antes mesmo da consulta propriamente dita, já sentaram na frente do computador para pesquisar sobre doenças, remédios e afins. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), 84% dos internautas admitiram fazer buscas regulares na web sobre temas relacionados à saúde.
E mais: 85% voltam a navegar após as consultas para conferir o prognóstico médico. A busca por informações na Internet é um tema que divide os médicos. Para muitos, o Google - o mais famoso site de busca virtual - fez surgir um novo tipo de paciente: mais consciente e questionador, que não hesita em avaliar, com o médico, os riscos e benefícios do tratamento recomendado.
Para outros, porém, o excesso de buscas em sites nem sempre confiáveis de ciência e saúde pode levar os internautas mais hipocondríacos - já batizados de ´cibercondríacos´ nos EUA - à sempre tão temida automedicação.
"Na maioria das vezes, essa curiosidade é saudável e natural. Afinal, informação só melhora a qualidade de vida das pessoas. O acesso à Internet deixa os pacientes mais seguros para tomar decisões que dizem respeito a eles. O que esses pacientes precisam entender é que a informação, por mais valiosa que seja, não substitui a formação, que pressupõe prática e conhecimento", pondera a pesquisadora da USP, Wilma Madeira da Silva.
INTERNAUTAS VÊEM WEB COMO ALIADA
A Internet virou uma extensão do consultório médico - não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Nos EUA, uma pesquisa da The Harris Poll revelou que a parcela da população que acessa temas ligados à saúde em sites especializados cresceu de 53% em 2005 para 71% em 2007. Na Europa, segundo dados da socióloga Hege Kristi Andreassen, do Centro de Telemedicina da University Hospital of Northern Norway, o fenômeno se repete. Países como Alemanha, Portugal e Dinamarca registraram índices de 50%, 58% e 71%, respectivamente, entre internautas que vêem na rede mundial de computadores uma forte aliada da saúde.
"A Internet é uma excelente ferramenta para complementar o atendimento médico e nunca para substitui-lo", afirma Pablo Vasquez, do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). ´Medicina não é matemática´ O que mais preocupa os médicos é o ´lixo eletrônico´ que circula na rede.
Muitos garantem que o excesso de informação leva pacientes a tirar conclusões sobre novos remédios ou tratamentos revolucionários em fase experimental. A rede abriga instituições de reputação duvidosa e até blogs produzidos por leigos.
Fonte: O Dia/RJ
Edição: F.C.
13.11.2007
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