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Publicado em: 09/09/2005

Home Care ganha espaço no mercado

A população brasileira está envelhecendo. De acordo com dados do IBGE, para quem nasce agora a estimativa é viver acima de 70 anos. Esse novo perfil da sociedade abre espaço para o mercado de home care ou internação domiciliar. Para entrar no setor, é fundamental investir na qualidade da equipe na logística da empresa, já que é preciso administrar pacientes em diferentes locais geográficos. O aporte inicial para uma pequena empresa gira em torno de R$ 200 mil.

A associação de empresas de Medicina Domiciliar (Abemid) estima que hoje existam no Brasil cerca de cinco mil pacientes em regime de internação domiciliar. Segundo o presidente da entidade, Roberto Albuquerque o mercado tende a crescer. “As perspectivas são positivas, principalmente se houver a regulamentação da atividade”, afirma. Hoje as empresas de home care ainda não têm regulamentação, mas a Agência Nacional de Saúde (ANS) pretende regulamentar a atividade até o próximo ano.

O conceito de home care tende a crescer. Esse é um modo assistencial de suma importância para a sociedade acredita Albuquerque, que também é presidente da Med-Lar, empresa que está no mercado desde 1994.

Investir em pessoal é fundamental para o sucesso da empresa. “Prestamos serviços na casa dos clientes. Os profissionais precisam ser treinados, já que trabalharão em um ambiente totalmente diferente do hospital. É preciso ter cuidado para não invadir a privacidade da família”, explica Albuquerque. Investir em treinamento e reciclagem da equipe é imprescindível, diz Irina Bacci, sócia da Intensive Home Health Care e vice-presidente da Associação Brasileira de home Health Care (Abrahhcare).

Outro ponto de vital importância para a saúde financeira da empresa, segundo Irina, é a logística. De acordo com ela, é preciso de alguém monitorando constantemente a logística da empresa. “Tudo é feito fora da empresa, então é preciso ter um grande investimento em software de gestão e atenção para não perder capital. Funcionamos como um hospital, mas nossos pacientes estão espalhados por diversos pontos da cidade”, diz.

O home care surgiu no Brasil no início da década de 90. Em 1999 houve um boom de empresas e serviços domiciliares, mas por falta de regulamentação as empresas não seguiam normas nem padrões, o que enfraqueceu o setor. “Hoje a área está mais fortalecida, mas para ficar no mercado é fundamental prestar um bom serviço, investir em qualidade e ter muita responsabilidade”, frisa a psicóloga Andréa Kacurin, diretora administrativa da Intensive Care e presidente regional Rio de Janeiro da Abemid.

Investir em publicidade nas revistas especializadas e na área de saúde dos jornais é uma forma de conquistar clientes. Além disso, ter uma equipe de captação de clientes nos hospitais também é importante. Os principais clientes das empresas de home care são operadoras de plano de saúde. Hoje cerca de 1,5 mil operadoras estão registradas na Abemid.

Há oito anos no mercado, a Intensive Care começou apenas com uma sala. Hoje são sete ambientes e 55 pacientes. Ter conhecimento na área médica e investir nos profissionais é imprescindível para o crescimento da empresa. “Os médicos devem ter um perfil próprio para atender o paciente em casa e humanizar o tratamento”, afirma Andréia.

Cerca de 70% dos pacientes são idosos que tiveram algum problema de doença aguda ou se acidentam. Além da equipe de nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e enfermeiros, é preciso ter também uma equipe de psicólogos. “Não apenas para atender o paciente e a família para dar suporte à equipe médica que está atendendo um paciente terminal”, completa Andréa.

Segundo a empresária é possível ter lucro a partir do segundo ano de funcionamento da empresa. Mas ela lembra que é preciso investir na companhia constantemente. “É necessário oferecer um trabalho qualificado e ter a licença de funcionamento da Vigilância Sanitária. Hoje ainda existem muitas empresas que não se adequaram. Por isso, a Abemid dá um selo de qualidade para as empresas que seguem as regras da associação”, diz Andréa. Porém, nem todas as empresas são filiadas a Abemid ou a outras associações que ajudam a regulamentar a atividade.

Hospitais são Parceiros no Negócio

O mercado está mais exigente. As empresas de home care precisam se adaptar a essa realidade, afirma Andréa. Segundo a empresária, não há conflito com os hospitais. “Somos Parceiros”, completa. “Os pacientes de home care são, em sua maioria, doentes crônicos, que apenas ocupam leitos nos hospitais e não geram rotatividade”, explica Irina, da Intensive Home Health Care. Pacientes crônicos e idosos representam um grande potencial para as empresas

O tratamento domiciliar, além de ser mais humanizado, gera menos custos para o cliente. No hospital, além de pagar pelo tratamento é preciso para a diária. Irina conta que durante um ano a empresa atendeu apenas um paciente. “Aprendemos como funcionava o home care e nos adaptamos a realidade de cuidar de um enfermo em casa. É uma realidade bem diferente da dos hospitais”, frisa Andréa.

Depois dessa experiência, a empresária resolveu continuar com a empresa. “Nem todos os funcionários são contratados, é possível trabalhar com profissionais terceirizados ou com cooperativas de enfermagem.”

As empresas de home care, segundo Albuquerque, não são de capital intensivo, já que grande parte dos aparelhos pode ser locada e é possível trabalhar com profissionais terceirizados. O que abre espaço para empresas que fabricam móveis e aparelhos para setor hospitalar. “Essas empresas estão crescendo junto com as de home care e investindo na produção de móveis e equipamentos especiais para a atividade”, afirma Irina.

Para o consultor de negócios do Sebrae/RJ, Haroldo Caser, esse é um bom nicho de mercado. Porém é preciso estar atento à concorrência e a área de atuação. “As empresas devem estar em locais onde a população tenha plano de saúde, caso contrário a captação de clientes será difícil. Além disso, é preciso investir em logística e estar atento a concorrência”, frisa.

Fonte:ASSPREVISTE-SK


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