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Publicado em: 13/07/2010

Grupo acha anticorpos que detêm HIV

Pesquisadores descobriram dois poderosos anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maioria das cepas conhecidas do vírus HIV, abrindo caminho para o desenvolvimento de uma vacina anti-Aids. Os anticorpos, batizados de VRCO1 e VRCO2, parecem promissores, já que impediram a infecção de células humanas em mais de 90% das variedades de HIV.

Os cientistas encontraram esses anticorpos no organismo de pessoas soropositivas, ou seja, que foram infectadas pelo vírus. As reações dos soropositivos ao HIV são uma das grandes inspirações dos pesquisadores para novas estratégias contra a Aids.

Os autores dos trabalhos, publicados na revista "Science", decodificaram também o mecanismo biológico pelo qual os anticorpos bloqueiam o vírus.

"A descoberta de anticorpos com o poder de neutralizar o HIV representa avanços para a criação de uma vacina contra o vírus da Aids", afirmou o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Enfermidades Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID, na sigla em inglês).

Vacinas

"A técnica pode ainda ser aplicada na concepção e desenvolvimento de vacinas contra muitas outras doenças infecciosas", afirma.

Os pesquisadores isolaram uma das proteínas que formam o HIV e a modificaram para que ela se fixasse nas células específicas que produzem os anticorpos que neutralizam o vírus da Aids.

Com o trabalho, os pesquisadores já começaram o desenvolvimento de componentes de uma vacina que pode ensinar o sistema imunológico humano a produzir anticorpos similares ao VRC01 e VRC02.

"Aproveitamos nossa compreensão da superfície do HIV para afinar nossas ferramentas moleculares que permitem orientar a escolha de anticorpos que impedem a infecção de células humanas", explicou Gary Nabel, do NIAID, que também trabalhou como coordenador das equipes de pesquisa.

Encontrar anticorpos capazes de neutralizar cepas (variedades) de HIV é muito difícil, já que o vírus muda com frequência as proteínas que cobrem sua superfície. O processo ajuda o invasor a enganar o sistema de defesa do organismo humano.

A capacidade levou a uma grande variação de formas de HIV. Descoberto há mais de 25 anos, o vírus já matou 30 milhões de pessoas.

Esperança de vacinação ainda não decolou

As dificuldades de obter uma vacina decente contra o HIV são notórias.
Para dar uma ideia da dimensão do problema, uma vacina alardeada como um sucesso ao menos parcial no ano passado jamais teria recebido tanta atenção se mirasse outra doença, porque sua eficácia chegou apenas a 30%.

Bancada pelos governos dos EUA e da Tailândia, a imunização foi testada em 16 mil voluntários tailandeses, metade dos quais recebeu um placebo (substância inócua), como é praxe nesses testes.

Desse grupo, o do placebo, 74 contraíram o vírus, contra 51 dos vacinados. Depois de alguns ajustes estatísticos, o sucesso se revelou ainda menor, de apenas 26%.


Fonte: Folha de S.Paulo
Enviada por JC
Edição: F.C.
13.07.2010


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