Publicado em: 12/12/2011
Férias podem ser prova de fogo para o casal; veja como evitar brigas
O que era para ser um momento de prazer e diversão a dois se transformou em uma batalha –que pode terminar em separação. Tirar férias do trabalho na mesma época em que o parceiro chega a gerar atritos que não acontecem quando ambos trabalham e só se veem à noite e nos finais de semana. Ficar dias e dias seguidos, 24 horas juntos, é tempo demais. Como não transformar esse período em um pesadelo?
"É importante lembrar que há diferenças de gostos, de perfis e de estilos pessoais. Por exemplo: um gosta de atividades agitadas, esportivas, e o outro das mais calmas, ficar à beira da piscina lendo um livro”, exemplifica a psicóloga e terapeuta de casais Heloísa Schauff. Querer obrigar quem gosta de dormir até mais tarde a acordar cedo para aproveitar as férias ou não aceitar as opiniões um do outro geram conflitos.
“Há ainda aquelas pessoas que precisam de um tempo sós, gostam de fazer coisas sozinhas, enquanto a outra entende que tudo deve ser feito junto; Que se não estiver ao lado é uma prova de desamor. Conclusão: acabam brigando. Deve haver respeito às diferenças, lidar com isso adequadamente”, diz a terapeuta.
Papéis inversos
Na rotina, cada um tem sua vida profissional, cuida de si e de seus afazeres. O encontro, à noite, é rápido e alegre. Neste cotidiano, as diferenças se dissolvem, sendo cada um responsável por suas tarefas. “As brigas acontecem, principalmente, por aquilo que diz respeito aos dois: as tarefas conjuntas. A dinâmica do casal passa do individual para o conjunto, afinal, passamos mais tempo no trabalho do que com os companheiros. Quando o casal viaja, a dinâmica se inverte, partindo do conjunto para o individual”, explica a psicanalista e terapeuta sexual Ana Canosa.
Isso significa que estar junto envolve uma negociação dos desejos de cada um, desde a hora que se quer acordar até o que comer e os programas envolvidos. E pode ser desgastante quando ambos têm personalidades diferentes ou que ainda não aprenderam a conviver com o jeito um do outro. “Se estiver em crise conjugal, é pior ainda, pois as características que um enxerga como negativas no outro estão sob lente de aumento e se intensificam na viagem”, diz a psicanalista.
O melhor mesmo é planejar antecipadamente as ações para evitar desconfortos e dificuldades. “Não usar positivamente o tempo gera pensamentos negativos que conduzirão cada um dos cônjuges a expressar as emoções negativas que estavam controladas pelo cotidiano previsto”, afirma o psicólogo e psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Júnior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, em São Paulo.
A mesma dica vale para o casal que sai de férias juntos, mas que não irá viajar. Ficar em casa sem se preocupar com a vida profissional gera uma nova rotina com presença em tempo integral. “Sem a estrutura determinando um cotidiano regular e previsível, ideias de como satisfazer necessidades começam a surgir. Pensamentos errados que ficaram escondidos pelas necessidades de trabalho e falta de convívio surgem e produzem mau humor e insatisfação”, completa o psicoterapeuta sexual.
Seis lições para ter férias maravilhosas
* Alinhe expectativas
Converse bastante para planejar a viagem ou as férias. “A negociação deve contemplar acordos e concessões, com a devida concordância e cumprimento de ambos os lados”, diz Heloisa Schauff, terapeuta. Saber o que o outro espera e traçar um roteiro que agrade aos dois é o primeiro passo para o sucesso. “É bom ser realista. Saber quanto se pode gastar ou destinar para cada um comprar o que deseja. Se tiver filhos, lembre que eles solicitarão tempo e dinheiro. É preciso estar preparado”, diz Ana Canosa.
* Faça atividades individuais
É saudável para a relação ter atividades individuais. Enquanto um toma sol na praia, o outro corre ou vai surfar; enquanto um tira uma soneca, o outro faz compras com calma. “O importante é não ter uma postura individualista exacerbada, investindo pouco na relação amorosa”, diz Heloisa Schauff. Algumas pessoas sentem falta do silêncio, de caminhar sozinho, pois isso o faz retornar ao eixo. Traz um sentimento de ‘estar consigo’ novamente. “O importante é não ferir o companheiro, se ele gosta de fazer tudo a dois. Explique que, por serem diferentes, ficar um pouco só é uma boa maneira de negociar o tempo dos dois. Mas, para isso, é preciso ter maturidade ao conversar”, diz Ana Canosa.
* Divida responsabilidades
Férias com os filhos pedem um planejamento do casal para cada dia de modo diferente. Crianças exigem atenção 24 horas por dia. Escolher bem o roteiro e conciliar atividades individuais com aquelas em que todos participem pode ser uma boa saída. “Se as crianças não tiverem ocupações previstas, se aborrecerão e atrapalharão cada passo que os pais tentarem dar”, diz Oswaldo Rodrigues Júnior.
* Invista no relacionamento
Investir em programações românticas e no sexo é sempre interessante, pois aproxima o casal, aumenta a intimidade e a cumplicidade -além de deixar os dois de bom humor. Mas a dica só vale se as férias forem relaxantes e planejadas com poucas atividades que consumam o tempo. “Ir para a Europa, conhecer 33 países em 15 dias, não deixa espaço nem para saborear a comida local; sexo, então, fica bem mais complicado”, diz Oswaldo Rodrigues Júnior.
* Visite os parentes
Se estiverem acostumados e se dão bem com os sogros, podem visitá-los. Mas é bom que vocês tenham privacidade e liberdade preservadas. “É uma opção por questões financeiras, mas é importante que, vez ou outra, o casal vá para um local neutro, conhecer lugares diferentes e ampliar experiências de vida”, diz Heloísa Schauff. Mas se ficar na casa de parentes limita horários para o sexo ou momentos de intimidade, isso pode ser um problema. “Planejar férias em grupos é outra furada. Sempre haverá pressão para acompanharem o grupo e não haverá privacidade. Assim, as férias não serão para o casal, mas para a turma!”, afirma Oswaldo Rodrigues Júnior.
* Curtam as férias sem viajar
Mesmo que vocês decidam não viajar, faça um planejamento e escolha uma programação. Colocar pendências em dia é tão bom quanto descansar e fazer pequenos passeios. Deixar os filhos com os avós para ficar tranquilo em casa é muito bom para a relação. “Finja que estão em outra cidade e desbravem a que vivem. Cinema, teatro, restaurantes novos podem ser surpreendentes. Infelizmente, é assustadora a quantidade de casais que nunca saem e ficam diante da televisão ou vão aos shoppings aos finais de semana!”, diz Ana Canosa.
Fonte: UOL
Enviada por JC
Edição: F.C.
12.12.2011
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