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Publicado em: 16/01/2012

Europeus vêm ao Brasil em busca de emprego

Logo depois que o estouro da bolha no mercado imobiliário espanhol deixou Andrés Velarde e Maria Palencia desempregados, os jovens arquitetos pegaram seus materiais para desenho e viajaram 8.000 quilômetros até o Brasil — atraídos pela esperança, mas não a certeza, de um emprego.

Em menos de cinco semanas, o casal espanhol já estava trabalhando. O Brasil estava expandindo o seu programa de moradia para pessoas de baixa renda e correndo para construir estádios, terminais de aeroporto e hotéis para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

"A crise lá em casa é uma notícia distante", disse Velarde, que já está há oito meses no seu novo emprego no Rio de Janeiro. "No Brasil há crescimento e otimismo, uma atmosfera de alegria totalmente diferente da Europa."

A crise econômica está afugentando dezenas de milhares de trabalhadores qualificados da Europa, e muitos estão sendo seduzidos pelas pujantes ex-colônias da Europa na América Latina e África, revertendo antigos padrões migratórios. Ásia e Austrália, assim como Estados Unidos e Canadá, também vêm absorvendo emigrantes da zona do euro.

Ao mesmo tempo, o fluxo de imigrantes do Terceiro Mundo, cujo trabalho ajudou a impulsionar o crescimento da Europa nas últimas décadas, está esmorecendo. Centenas de milhares deles, incluindo funcionários de maior qualificação, estão voltando para casa.

Tal êxodo está causando temores sobre as possíveis consequências de longo prazo da crise econômica — uma fuga de talentos pode prejudicar as economias mais fracas da zona do euro na sua luta para sair da recessão.

"Trata-se de uma hemorragia de pessoas altamente educadas — exatamente as que eles precisarão para decolar quando as circunstâncias melhorarem", disse Demétrios Papademetriou, presidente do Instituto de Política Migratória, uma organização sem fins lucrativos de Washington.

O número de emigrantes está crescendo em Portugal e Espanha, que estão perdendo trabalhadores qualificados para as suas antigas colônias. Mais pessoas estão saindo do que chagando à Espanha, Portugal, Irlanda, Eslovênia e Chipre, e o governo da Grécia está preocupado com uma tendência semelhante que começa a tomar forma no país. A União Europeia não tem dados consolidados de emigração, mas é crescente a preocupação com o efeito dos cortes severos de orçamento no Reino Unido, França, Alemanha e Itália, todos vendo pesquisadores de talento irem embora.

O Rei Juan Carlos enfatizou as perdas da Espanha com uma pungente observação, ao distribuir bolsas de estudo a jovens espanhóis que estavam indo fazer pós-graduação no exterior.

"Espero e desejo sinceramente que, quando chegar a hora de vocês voltarem para casa, haverá mais trabalho e vocês possam ficar aqui," disse ele em março ao grupo de 121 ganhadores. "Nós realmente precisamos de vocês na Espanha."

Fonte: Valor Econômico
Edição: C.P
16.01.2011

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