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Publicado em: 17/06/2010

Com crédito, consumidor pode construir e destruir patrimônio

Precisamos de dinheiro para comprar e para fazer as coisas que queremos.
Temos três possibilidades: 1) o dinheiro já está disponível, pois foi poupado ou ganho e o sonho pode ser realizado já; 2) o dinheiro será poupado antes para realizar o sonho depois; 3) o sonho será realizado agora e o pagamento será feito no futuro.

Com qual das três alternativas você se identifica? Você é do tipo que quer tudo na hora e depois dá um jeitinho para pagar?

Optar pela alternativa 3 significa que o dinheiro utilizado não lhe pertence. Você toma emprestado de um banco, de uma financeira, de uma loja, e vai pagar juros pelo uso desse dinheiro.

Crédito bom constrói patrimônio: comprar a casa própria financiada elimina a despesa de aluguel; comprar um equipamento que vai gerar renda no consultório médico; comprar um carro e oferecer transporte escolar para os alunos.

Entendo que essa estratégia constrói patrimônio. Mas planeje antes de assumir o compromisso. Tomar crédito representa uma nova despesa no seu orçamento.

Crédito ruim destrói riqueza: usado para consumo e despesas supérfluas; financiar uma viagem, uma festa de aniversário, uma compra emocional na liquidação da loja que você adora; um prazer de curta duração e uma dívida a perder de vista.

A taxa de juros determina o preço do dinheiro e será tanto maior quanto maior for o risco da operação.

Acompanhe o conceito das modalidades mais comuns de operações de crédito oferecidas no mercado e entenda por que os juros são tão altos em algumas delas.

Os créditos rotativos -cartão de crédito e cheque especial- são limites concedidos sem nenhuma garantia. Você pode sacar quando quiser, quanto quiser e pagar como puder.

Concorda que o risco da operação é alto para o doador do dinheiro? Por essa razão, é a modalidade de crédito mais cara do mercado. Use pelo menor espaço de tempo possível e somente em situações emergenciais.

Os créditos parcelados são empréstimos planejados para o tomador e o doador do dinheiro. Você sabe quanto e quando vai sacar e o pagamento será feito em parcelas de valor e vencimento predefinidos.

Uma garantia será oferecida. O risco dessa modalidade de crédito é menor e permite que os juros sejam menores também.

O crédito mais barato dessa modalidade é o crédito consignado -é o mais "barato" porque, sem dúvida, representa o menor risco para o doador: as prestações são descontadas diretamente na folha de pagamento, pela empresa empregadora.

Os financiamentos, também parcelados, exigem a garantia do bem financiado.

É o caso do CDC (crédito direto ao consumidor), tradicionalmente usado no financiamento de veículo -este fica em nome do proprietário mas alienado a favor da financeira, fato que impede a venda do bem que garante o contrato.

O leasing, outro financiamento parcelado, é na verdade um contrato de arrendamento mercantil. O bem fica em nome da empresa e você paga "aluguel" pelo seu uso, tendo o direito de comprá-lo ao término do contrato.
O risco diminuiu mais ainda, não é verdade? Os juros também.

Agora que você sabe como funciona a cabeça dos bancos e das financeiras e entendeu que tudo é uma relação de risco versus retorno, planeje, pense e repense antes de assumir um compromisso. E use com moderação.

MARCIA DESSEN, CFP, é sócia e diretora executiva da BMI, professora da FDC e cofundadora do IBCPF.

 

Fonte: Folha de S.Paulo
Enviada por JC
Edição: F.C.
17.06.2010


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