Publicado em: 24/05/2010
Carboidrato seria o pior inimigo do coração
Um roteiro clássico de filme policial tem o promotor, o prefeito e a imprensa convencidos de que identificaram o assassino, e só falta tirar o culpado de circulação. Porém, um detetive solitário, geralmente atormentado por seus próprios demônios, pensa que eles têm o homem errado e o verdadeiro assassino está solto pronto para atacar novamente. Este é o cenário que se desenrola há décadas na caça para pegar o alimento responsável pela epidemia de doenças cardíacas, obesidade e diabetes.
Desde a década de 70, a maioria das autoridades de saúde e cardiologistas colocou a gordura no corredor da morte, mas agora a pressão para perdoá-la tem crescido por parte de cientistas.
Em vez das gorduras, pesquisadores renomados têm indicado os carboidratos, particularmente os refinados e o açúcar, para o banco dos reús. Há vários estudos, que remontam aos anos 60, que não encontraram ligação com corte de gordura na dieta e redução do risco de doença cardíaca, embora alguns apontem isso.
A última testemunha de defesa é uma grande análise, publicada em março que diz: "Não há qualquer evidência significativa para concluir que a gordura saturada está associada a um risco aumentado de doenças cardiovasculares". E se trata de uma investigação séria, publicada na "Revista Americana de Nutrição Clínica", envolvendo 21 estudos e quase 350 mil pacientes.
Além do mais, autores afirmam que a substituição de gordura saturada por mais carboidratos faz com que todos os fatores de risco para infarto e diabetes piorem. - Isto é impressionante - diz Dariush Mozaffarian, da Escola de Medicina de Harvard. -
É o que temos feito há anos. Praticamente todos os alimentos de baixo teor de gordura dos supermercados levam adição de açúcar para torná-los mais palatáveis.
Médicos recomendam gordura de óleos vegetais
Investigação do próprio Mozaffarian sugere que os óleos vegetais poli-insaturados ômega 6, como o de grão de soja, podem reduzir o risco de infarto. Parte do processo de acusação contra a gordura saturada é que ela aumenta os níveis de colesterol total. No entanto, esta ideia "não é baseada em dados", diz Meir Stampfer, professor de nutrição e epidemiologia na Escola de Saúde Pública de Harvard. O ponto é que, apesar de elevar os níveis de colesterol ruim, o LDL, a gordura também aumenta a taxa da fração boa, o HDL.
O dossiê acusando o açúcar de ser uma ameaça muito mais grave à saúde do que as gorduras já está bastante robusto. E mais uma evidência apareceu no mês passado num grande estudo com 6 mil adultos, confirmando que a adição de açúcar aos alimentos processados ou preparados não é boa coisa. O efeito disso, curiosamente, não havia sido estudado. Médicos da Universidade de Emory descobriram que a adição de açúcar afetava dois marcadores de risco de doença cardíaca: eleva os triglicerídeos e reduz o HDL.
E mais dois estudos no mês passado reforçam a relação entre o consumo de carboidratos refinados e a maior chance de problema no coração. Um deles constatou que mulheres que comiam mais pão branco, croissants e bolos corriam perigo. Estes são alimentos de alto teor glicêmico, ou seja, carboidratos facilmente absorvidos e que rapidamente elevam a glicose. A outra pesquisa relacionou o uso de adoçante de frutose a um aumento na pressão arterial dos homens.
Mas qual é exatamente a forma de agir dos carboidratos? Segundo o cientista Michael Shechter, da Universidade de Tel Aviv e pioneiro no estudo do que acontece nos vasos, alimentos de alto teor glicêmico causam grande estresse na camada interna das artérias.
- Isso talvez explique, pela primeira vez, por que os carboidratos de alto teor glicêmico afetam a progressão de doença cardíaca - afirma Shechter, cujo estudo foi publicado na revista da Academia Americana de Cardiologia. Os promotores no caso reconhecem que existem gorduras boas e ruins. E dizem que já recomendam óleos extraídos de vegetais e peixes. O problema é que as autoridades têm sido lentas em reconhecer os malefícios dos carboidratos, diz Charles Clarke, membro do Colégio Real de Cirurgiões de Edimburgo.
Fonte: Portal G1
Enviada por JC
Edição: F.C.
24.05.2010
Comentários
Últimas: Notícias
- 08/02/2012 - Falta de fio dental pode causar sangramentos e doenças na gengiva
- 07/02/2012 - EUA aumentam financiamento para pesquisas sobre Alzheimer
- 07/02/2012 - Crianças deixadas de lado durante as brincadeiras são mais sedentárias
- 07/02/2012 - Engeplus se consolida na produção de sistemas de gerenciamento hospitalar
- 07/02/2012 - Bebê que come papinha dada com colher fica mais gordo
- 06/02/2012 - Inteligência para viver mais
- 06/02/2012 - A esperança das editoras de livro
- 06/02/2012 - Vinicius Nogueira é destaque na TV piauiense
- 06/02/2012 - Resolução da Anvisa mantém veto a cigarro com sabor e libera açúcar
- 03/02/2012 - Conheça os riscos e benefícios de alguns pratos típicos do Nordeste
- Veja Mais
Notícias Relacionadas:
- 02/02/2012 - Por que os exercícios físicos beneficiam a saúde
- 21/12/2011 - Hipertensão com início na meia idade eleva risco de infarto
- 06/12/2011 - Peixes ricos em ômega 3 protegem coração das mulheres
- 29/11/2011 - Consuma sal na medida certa e proteja seu coração
- 18/11/2011 - Doenças cardíacas reduzirão expectativa de vida da atual geração de adolescentes
- 17/11/2011 - Fazer limpeza bucal no dentista reduz riscos de ataque cardíaco e derrame
- 16/11/2011 - Estatina combate também a obstrução de artérias


