Publicado em: 13/01/2012
Cães compreendem o que dizemos a eles por meio de gestos e tom de voz
Isso significa que os cães, embora não compreendam a linguagem verbal — assim como os pequenos, no começo da infância — assimilam, por gestos e olhares, o que as pessoas desejam expressar.
Para realizar a pesquisa, publicada na mais recente edição da revista científica Current Biology, os cientistas liderados pelo psicólogo József Topál, do Instituto de Pesquisas Psicológicas da Academia de Ciências Húngara, analisaram a reação de 29 cachorros a dois vídeos em que uma pessoa os cumprimentava e depois se virava para um dos dois objetos que também eram focalizados pela câmera.
No primeiro vídeo, uma mulher olhava diretamente para a câmera (dando a impressão de olhar para o animal) e o saudava de maneira alegre, como se cumprimentasse uma criança. No outro, ela apenas dizia “olá, cachorro” em voz baixa e evitava contato visual. Todas as cobaias olharam por longo tempo (cerca de 2 segundos) para a direção apontada pela mulher no primeiro vídeo, mas apenas passaram os olhos no objeto indicado por ela na segunda gravação, sem ter a intenção de observá-lo realmente.
Topál afirma que o experimento reforça a conclusão de pesquisas anteriores sobre a sensibilidade dos cachorros ao comportamento comunicativo humano. “Os cães são sensíveis a estímulos que sinalizam a intenção de o indivíduo interagir. A eficiência dessa ligação entre ambos certamente pode ser melhorada ser for baseada em um sistema de treinamento”, garante.
“No estudo, percebemos que esses bichos, em uma situação de seguir o olhar do indivíduo, apresentaram um padrão visual similar ao de bebês com 6 meses. Isso significa que, embora geralmente prefiram fixar a vista em objetos específicos, esse viés não se reflete em seus primeiros olhares”, explica. Além dessa característica, o estudo sugere que a atenção dos cães e sua capacidade de entender gestos que indicam alguma direção são similares às de crianças com pouco menos de 2 anos.
Sem vergonha
Segundo a médica veterinária Christine Martins, do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), já é senso comum que os cães, quando treinados, respondem a estímulos verbais. “Mas normalmente isso é feito mediante reforço positivo, ou seja, se você fala ‘senta’ e mostra para o animal o que você quer que ele faça e lhe dá um agrado, como comida ou carinho, facilmente ele vai reagir àquela palavra da maneira desejada na vez seguinte”, comenta.
Ela ressalta que a conclusão do estudo de Topál é que os cachorros entendem não as palavras que os humanos falam, mas a intenção delas. “Qualquer proprietário sabe que ao se comunicar com um cão, assim como com um bebê que ainda não fala, o segredo está no tom de voz e não especificamente no que se diz”, completa.
Para Christine, é interessante o fato de a pesquisa destacar a capacidade dos cachorros de se fixarem nos olhos de seu dono ou instrutor e, assim, entender intenções a ações distintas do indivíduo. “Isso é relevante porque nós, humanos, valorizamos muito o olhar, percebemos nele os sentimentos de quem conhecemos bem”, afirma. A veterinária acredita que o maior mérito do estudo é destacar a necessidade de as pessoas interagirem mais com seus cães e não terem vergonha de conversar com eles, pois, embora não entendam o que os indivíduos falam, compreendem os sentimentos por trás das palavras.
Fonte: CorreioWeb
Edição: C.P
13.01.2012
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