Publicado em: 13/12/2011
Aplicativos para celular prometem melhorar qualidade de vida
Em poucos cliques, foi-se o velho e recomendado hábito de marcar consulta e falar com um especialista. Os 'doutores' de agora são os aplicativos mHealth (do inglês mobile health: saúde móvel), utilizados em celulares, tablets e iPods. Parece prático, saudável e ainda combina com a inevitável falta de tempo. Só que para os especialistas, a combinação entre tecnologia e saúde pode ser um avanço importante, mas está longe de substituir o acompanhamento médico tradicional.
"Os aplicativos são ferramentas úteis hoje em dia", acredita Turíbio Leite de Barros Neto, fisiologista do Esporte Clube Pinheiros e professor adjunto da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Mas é preciso ter bom senso e saber usá-los apenas como complemento à orientação médica, e não como única solução", diz. O fisiologista também ressalta a importância do selo de qualidade, ou seja, aplicativo bom é aquele que tem procedência ligada a entidades de saúde confiáveis.
Atualmente, há mais de 17 mil opções de aplicativos voltados para a saúde, entre gratuitos e pagos. E o número só aumenta - assim como o montante de usuários, que deve beirar os 500 milhões até 2015, aponta o relatório Mobile Health Market Report 2010-2015, da consultora alemã Research2Guidance, que realiza pesquisas sobre o mercado global de aparelhos móveis.
Para o especialista em internet e marketing digital, Conrado Adolpho, professor da ESPM e da Fundação Dom Cabral, o aumento desses dispositivos no mercado só tende a crescer no país. "Será um comportamento natural, uma vez que os brasileiros representam um número grande de pessoas buscando informações sobre saúde na rede", conclui.
Para entrar em forma
Os aplicativos que ajudam a se exercitar estão entre os campeões de downloads. Só o Endomondo tem seis milhões de usuários ativos - 1,5% deles só no Brasil. Disponível para iPhone, iPad e Android, ele funciona por GPS e monitora percursos, calculando velocidade e distância percorrida.
Mas afinal, dá para aposentar o instrutor e depender somente de um dispositivo, que pode ser usado no celular ou num iPod? "Não dá para negar que um aplicativo é uma ferramenta muito útil hoje em dia", explica o Turíbio Leite de Barros Neto, fisiologista do Esporte Clube Pinheiros e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. "Mas é preciso ter bom senso e saber usá-lo apenas como complemento à orientação médica e não como única solução", frisa.
De acordo com a dinamarquesa Mette Lykke, cofundadora do Endomondo, o dispositivo foi criado para estimular a prática de esportes entre as pessoas, mas não passou por uma aprovação médica quando foi desenvolvido. "Ele foi idealizado pensando naquilo que nós, fundadores esportistas, queríamos na hora do exercício, que é interatividade e estímulo", explica Lykke.
Para Barros Neto, o risco está justamente na falta de orientação: "Vejo riscos de instruções inadequadas e falta de limites. Essa ferramenta é boa para mensurar, porém é necessário ter uma orientação. Nosso corpo é frágil e a competição às vezes ultrapassa o ideal", diz o especialista.
Na hora de escolher um aplicativo, aqui também é importante ficar de olho no selo de qualidade, ou seja, se ele tem procedência ligada a entidades de saúde confiáveis.
Endomondo: http://www.endomondo.com
Fonte: Estadão
Edição: C.P
13.12.2011
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