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Publicado em: 26/06/2008

26 de junho, Dia mundial contra as Drogas

No Brasil, uma nova lei contra dirigir alcoolizado

Há alguns anos parecia que o mundo caminhava rumo a uma epidemia de abuso de drogas, mas há cada vez mais indícios de que o problema está sendo controlado, segundo o diretor executivo do escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), António Maria Costa, por ocasião do Dia Mundial contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, dia 26 de junho.

"Os dados mais recentes que colhemos mundialmente mostram que a dependência de drogas tem diminuído", disse António Costa durante o ato de lançamento do Relatório Mundial de Drogas 2007, realizado pelo UNODC simultaneamente em Viena, Áustria, e em diversos países.

Cerca de 5 porcento (4,8) da população mundial entre 15 e 64 anos usam drogas a cada ano; são cerca de 200 milhões de pessoas. Mais da metade consome pelo menos uma vez por mês. Aproximadamente 25 milhões de pessoas são dependentes químicos.

As drogas consideradas mais problemáticas no mundo são os opiáceos (especialmente a heroína), consumidos especialmente na Ásia e na Europa. A segunda é a cocaína. Na América do Sul, a cocaína é a droga que mais leva a busca de tratamentos por dependência. Em África, a maior procura por tratamento decorre do uso de canibais em forma de erva (maconha) ou resina (haxixe).

O Relatório mostra que os mercados de drogas ilícitas se mantiveram estáveis entre 2005/6. "Para a maioria das drogas-cocaína, heroína, cannabis e anfetaminas - há sinais de estabilidade em relação à produção, tráfico e consumo", disse Costa.

O consumo de cocaína na Europa ainda é menor que na América do Norte. Mas em 2005, pela primeira vez, a Espanha registou prevalência anual do uso de cocaína maior que nos Estados Unidos.

Na América do Sul, há registos de aumento no consumo de maconha e de cocaína. Para o Representante Regional do UNODC para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, as drogas têm que ser tratadas como questão de saúde pública.

"É preciso trabalhar mais na prevenção e oferecer serviços a quem busca tratamento contra a dependência. E funciona. A Suécia, por exemplo, gasta 30% a mais em prevenção e tem 30% menos usuários de drogas que a média europeia", disse Quaglia.

O plantio de coca na região andina continua diminuindo. Colômbia, Peru e Bolívia são os maiores produtores mundiais. Entre 2000-2006 a área global de plantio da folha de coca diminuiu 29% e está em 159,000 hectares. Isso ocorreu principalmente por causa da redução na área de plantio na Colômbia.

Mas houve ligeiro aumento na região de plantio na Bolívia e no Peru - apesar de ainda estarem bem abaixo dos níveis encontrados há uma década. A Bolívia também registou aumento no consumo de cocaína. No âmbito global, o uso de cocaína se estabilizou, apesar de ter havido redução do uso nos Estados Unidos com aumento no consumo na Europa.

Mas a contenção na plantação da folha de coca entre 2000-2006 não levou à diminuição da produção de cocaína. Especialistas atribuem isso ao aprimoramento nas técnicas de produção da droga, com uso de fertilizantes, pesticidas e tecnologia para aumentar a produtividade. A produção total de cocaína tem se mantido estável nos últimos anos [1.008 toneladas métricas (mt) em 2004; 980 mt em 2005; 984mt em 2006].

Como a fabricação das anfetaminas é feita ilegalmente, mas com uso de precursores químicos lícitos, a produção global só pode ser medida indiretamente. Ainda assim, o mercado de estimulantes do grupo anfetamínico, como o ecstasy, também mostra sinais de contenção em diversos países (produção global em 2005 = 480mt).

A Ásia é a grande consumidora mundial de anfetaminas: 55% dos consumidores mundiais são asiáticos. A maior parte continua sendo produzida na Europa, especialmente na Holanda. No âmbito sub-regional, o maior índice de prevalência de uso de anfetaminas na América do Sul foi registrado no Brasil.

Em relação ao consumo, a demanda por estimulantes do grupo anfetamínico, que havia aumentado fortemente na maioria dos países na década de 1990, agora mostra sinais de estabilização. Hoje há um mercado mundial de anfetaminas de cerca de 25 milhões de pessoas.

Pela primeira vez em décadas, as estatísticas globais não mostram aumento da produção mundial e do consumo da cannabis (maconha e haxixe). "Com o aumento da potência da cannabis, há muito mais usuários de maconha e haxixe que vêm buscado tratamento contra a dependência. Esta é uma importante questão de saúde pública", disse o Diretor Executivo do UNODC.

Drogas "legais"

Nicotiana tabacum é um nome estranho, não acha? Mas cerca de 30 milhões de brasileiros fazem uso diário dela. Conhecida como nicotina, ela é a principal componente do cigarro. A droga tem princípios cancerígenos, acelera os batimentos cardíacos, atrapalha a digestão e traz vários males à saúde. Além disso, vicia tão fortemente quanto a cocaína e o álcool. Por isso é tão difícil parar por conta própria.

Prejuísos do Tabagismo

O cigarro é composto por mais de quatro mil substâncias tóxicas, incluindo nicotina, monóxido de carbono, alcatrão, agrotóxicos, e cancerígenas, como arsênico, níquel, cádmio e chumbo. A nicotina causa dependência da mesma forma que a cocaína, a heroína e o álcool. A fumaça do tabaco é inalada para os pulmões e chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, velocidade quase igual a de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa.

O tabagismo é diretamente responsável por:

• 30% das mortes por câncer;
• 90% das mortes por câncer de pulmão;
• 25% das mortes por doença coronariana;
• 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica.

Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro são aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem. A mulher grávida que fuma, além de correr o risco de abortar, tem mais chance de ter filho de baixo peso, menor tamanho e com defeitos congênitos.

Álcool

Os acidentes de trânsito matam mais de um milhão de pessoas ao ano em todo o mundo, e cerca de 60% atingem justamente os jovens que exageram no consumo do álcool antes de chegar às festas e baladas.

Dentre os que não bebem, 80% admitem pegar carona com pessoas que beberam. Pelas projeções da OMS, até o ano de 2020, os acidentes de trânsito serão a terceira causa de mortes, ficando atrás apenas das doenças coronarianas e depressão.

Os males do álcool vão além. Ele pode levar à dependência, ao alcoolismo, que hoje atinge mais de 5% dos adolescentes entre 12 e 17 anos, e aos custos sociais provocados pela relação entre álcool e trauma. O custo social que uma família tem com o jovem acidentado é muito grande e vai desde a questão financeira e o convívio familiar até um traumatismo craniano e fraturas, em que o cuidado deve ser intenso.

Como se não bastasse o alto índice de mortalidade provocado, grande parte dos sobreviventes herda seqüelas para toda a vida, é o que mostram as estatíticas entre sobreviventes.

Nova lei

Numa lista de 82 países pesquisados pela International Center For Alcohol Policies, instituição com sede em Washington (EUA), a nova lei seca brasileira com limite de 2 decigramas de álcool por litro de sangue é mais rígida que 63 nações, iguala-se em rigidez a cinco e é mais tolerante que outras 13, onde o limite legal varia de zero a 1 decigrama. Veja a lista de países pesquisados.

Com a nova lei, em vigor desde sexta passada, o limite legal agora é equivalente a um chope. Além de multa de R$ 955, a lei prevê a perda do direito de dirigir e a retenção do veículo.

A partir de 6 decigramas por litro (dois chopes), a punição será acrescida de prisão. A pena de seis meses a três anos e é afiançável (de R$ 300 a R$ 1.200, em média, mas depende do entendimento do delegado).


Fonte: Anti Drogas/Instituto Nacional de Câncer
Edição: F.C.
26.06.2008


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