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Publicado em: 31/07/2009

O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna

O Santo e a Porca

A peça O santo e a porca foi escrita em 1957 e montada pela primeira vez no Rio de Janeiro, no Teatro Dulcina, em 1958, pelo Teatro Cacilda Becker, sob direção de Ziembiski. Para o autor, "O santo e a porca apresenta a traição que a vida, de uma certa forma ou de outra, termina fazendo a todos nós. A vida é traição, uma traição contínua. Traição nossa a Deus e aos seres que mais amamos. Traição dos acontecimentos a nós, dentro do absurdo de nossa condição, pois, de um ponto de vista meramente humano, a morte, por exemplo, não só não tem sentido, como retira toda e qualquer possibilidade de sentido à vida.”

A obra aborda o tema da avareza e é dividida em três atos e tem uma certa semelhança com a literatura de cordel.

O que Suassuna consegue afinal nos trazer é uma trama bem engraçada entre personagens bem construídos e devidamente pensados para cada papel. 

A história gira em torno de um velho avarento conhecido por Euricão Árabe. Ele é devoto de Santo Antônio e esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.

Apesar do gênero, o texto trata da relação do mundo material com o espiritual, os conflitos gerados pelo próprio homem, o prendendo em sua riqueza. Já Caroba, lembra o personagem Chicó, da obra O Auto da Compadecida: miseráveis que vivem da esperteza e artimanhas.

Outra curiosidade do livro é a seguinte inscrição antes da nota do autor: “Imitação Nordestina de Plauto”.  Plauto é um escritor latino do período antes de Cristo. Na peça Aululária, o protagonista é "Euclião", que encontra uma panela de ouro deixada por seu avô. Esse 'achado' aliado ao casamento de sua filha com um velho rico origina o mote central de um texto ágil cheio de encontros, desencontros e ambiguidades. Na verdade, Suassuna adaptou o texto de Plauto, mas desenvolveu uma releitura dentro do contexto nordestino da literatura de cordel e criou uma trama mais complicada.

Personagens
Euricão - "Engole Cobra", Eurico Árabe; é o protagonista da peça; é pai de Margarida e irmão de Benona; personagem avarento.

Porca - Oposição do profano frente ao religioso (Sto. Antônio); é o objeto de cobiça; representa a avareza de Euricão, um dos 7 pecados capitais.

Santo Antônio - santo casamenteiro, "achador" e popular; santo de devoção de Euricão; representação do sagrado e da fé.

Margarida - "flor bucólica"; filha de Euricão (a filha é o patrimônio do pai, é noiva de Dodó; personagem que desencadeia dois pólos de interesse: material (Euricão) e sentimental (Eudoro e Dodó).

Benona - alusão à personagem de Plauto, Eunomia do grego EUNOMÍA (ordem bem regulada); é irmã de Euricão, ex-noiva de Eudoro; representa os pudores e os recatos.

Caroba - "árvore grande e forte"; empregada de Euricão; é a personagem que desenvolve toda a rede de intrigas que envolve os casamentos.

Pinhão - "fruto rústico"; empregado de Eudoro; é noivo de Caroba; representa a busca da liberdade.

Eudoro - "EÚDOROS"- composto por “eú” (bom,bem) e de “dôron” (o generoso); pai de Dodó; é ex-noivo de Benona e pretendente de Margarida; representa a burguesia.

Dodó - redução do nome Eudoro (indica a submissão do filho ao pai); é o filho de Eudoro; noivo de Margarida.

Dodó é o apaixonado que faz qualquer coisa para ficar com sua amada, Margarida, que age da mesma forma; Euricão é o avarento e, ao mesmo tempo, o religioso, pois ele questiona-se o tempo todo sobre o que seria mais importante para ele - seu dinheiro ou Santo Antônio; Eudoro é o velhaco que quer casar-se para evitar a solidão e que julga que seu dinheiro é suficiente para garantir um bom casamento; Benona é a eterna apaixonada; Caroba é a esperta, a articulista das ações do texto; e Pinhão, com seus ditados populares, é a voz do povo dentro da peça.

Onde encontrar:
Livraria Nova Aliança
Rua Olavo Bilac, 1259, Centro, próximo ao ginásio do Diocesano
Telefones: 3221-6793 / 3222-8399
Horário de Funcionamento:
Seg à Sex – das 6:30h às 19h. Aos sábados das 6:30h às 13h

 

F.C.
31.07.2009


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