Dicas de Livro

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Publicado em: 22/01/2010

\"O Som do Pasquim\" traz coletânea de entrevistas com músicos brasileiros

Na década de 1970, O Pasquim fez história no jornalismo e a cabeça de uma importante parcela da juventude brasileira. Em tempos de Ditadura Militar acirrada, o semanário investiu no humor e na publicação de entrevistas polêmicas com grandes personalidades da época, como foi o caso de Leila Diniz. A lendária matéria com a atriz fluminense chocou os conservadores e serviu como motivação para instauração da censura prévia no país, em 1969.

Mas Leila não foi a única a soltar o verbo nas páginas do Pasquim.  Mesmo com a Ditadura na cola, o jornal continuou com sua linha editorial escrachada e não se esqueceu de dedicar um capítulo especial de sua trajetória às personalidades da música brasileira. Ao longo dos anos, nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Wilson Simonal, Martinho da Vila, Tom Jobim, Raul Seixas, Roberto Carlos, Luiz Gonzaga e Maria Bethânia passaram pelas páginas do semanário.  Parte dessa história foi reeditada e pode ser conferida no livro “O Som do Pasquim”, uma coletânea das entrevistas com personalidades musicais realizadas pela publicação. Lançado originalmente em 1976, o livro foi reeditado ano passado em comemoração aos 40 anos de Pasquim.

Alguns entrevistados ficaram de fora da seleção e outros, como Bethânia e Roberto Carlos, não autorização a reedição de suas entrevistas. Mesmo assim, o livro traz um painel bem genérico da nossa música, com espaço para representantes da Bossa Nova, Tropicália, Forró, Brega e outros gêneros que marcaram a discografia brasileira.  

Numa época em que a “instituição” assessoria de imprensa não tinha tanta força, artistas falavam com os entrevistadores com a cara limpa, sem intermediários, sentados em uma mesa de bar. “Os músicos punham, literalmente, as bocas nos respectivos trombones”, afirma Tárik de Souza, ex-integrante do Pasquim, no prefácio do livro.

Os entrevistados pareciam não ter mesmo papas na língua.  Em seu encontro com o pessoal do Pasquim, em 1972, Agnaldo Timóteo disse que Caetano não sabia cantar e que Milton Nascimento era burro. Já Martinho da Vila não deixou passar as críticas à Maysa e outras personalidades da música que não aceitavam bem a entrada de um sambista na “roda artística” . Chico Burque falou sobre as agruras que passou durante seu exílio na Itália e Tom Jobim expôs os bastidores do 3º Festival Internacional da Canção.  

No total, o livro traz dez entrevistas com artistas de sucesso no cenário nacional durante aquela década. Um ótimo registro histórico para quem quer ficar por dentro da música feita no Brasil.

O Som do Pasquim
Editora Desiderata, São Paulo, 2008
Organização: Tárik de Sousa
336 páginas

C.P
21.01.2010

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