Ouça um bom conselho

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Publicado em: 09/03/2007

Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio e constrói prodígios

Amados colegas, queridos afilhados,

Permito-me admitir que raras vezes senti tanto orgulho em minha vida, como quando fui convidado para ser o Paraninfo desta turma de colegas.

Como paraninfo tenho o dever de recomendar o bom desempenho da turma à sociedade, nas funções que porventura vierem a exercer e o faço através desta breve mensagem. Mas também tenho o dever de apadrinhá-los profissionalmente, e - creiam – o farei diuturnamente, desejem ou não.

Dentro de minhas responsabilidades como paraninfo, permito-me iniciar recomendando-lhes conselhos, acreditando que tenho a vossa licença para dar alguns.

Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

  • Não pautem suas vidas, nem suas carreiras, pelo dinheiro.
  • Amem seu ofício com todo o coração.
  • Persigam fazer o melhor.
  • Sejam fascinados pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência.
  • Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande tolo.

Alexandre, O Grande, não dominou quase todo mundo conhecido de sua época por dinheiro; Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Michelângelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

A propósito, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo! E ela responde: Eu também não, meu filho!".

Não estou fazendo, com isso, nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que, pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pensem no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal, é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos social gera uma queda de padrão de vida generalizada.

Meu terceiro conselho: Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio.

Porque já li grandes livros e vi bons filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso, mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colaborem com seus biógrafos. Façam, errem, tentem, falhem, lutem. Mas, por favor, não joguem fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de terem vivido.

Tenham consciência de que cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Vocês foram criados para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

Não sentem-se e passem a ser analistas da vida alheia, espectadores do mundo, comentaristas do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse! Eu sabia! Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar.

Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que, na segunda-feira, não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 as 12, das 12 as 8 e mais, se for preciso.

Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio (que é a morada do demônio) e constrói prodígios.

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito o que aprender com aqueles bobos dos japoneses. Porque aqueles bobos japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2a maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Portanto trabalhem!

Muitos de seus colegas dirão que vocês estão perdendo sua vida, porque vocês vão trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque vocês vão trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto dos seus esforços, e só o trabalho levará vocês a conhecerem pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.

E isso se chama sucesso! ! !

Um grande beijo em vossos corações!!!"

Eduardo Paulo Almeida de Sant´Anna


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