Publicado em: 18/09/2006
Não brigue com o destino – nada é o que parece.
Era uma vez, numa pequena cidade russa, um velho camponês que possuía um lindo cavalo. Certa manhã, ele descobriu que o cavalo não estava mais na cocheira.
Os amigos logo disseram ao velho:
- Que desgraça, roubaram seu lindo cavalo !
E o velho respondeu:
- Calma, não cheguem a tanto. Digam, simplesmente, que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês.
As pessoas riram do velho. Alguns dias depois, de repente, o velho, tendo procurado muito seu cavalo na floresta, o encontrou. E não apenas isso, ele estava acompanhado de quatro cavalos selvagens. Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
- Você tinha razão, não era uma desgraça, e sim uma benção.
E o velho disse:
- Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se era uma benção, ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta ...
O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos, e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez se puseram a julgar:
- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho sofrer tal acidente, pois vai passar um bom tempo até que possa voltar a fazer uso das pernas.
E o velho disse:
- Mas vocês são mesmo uns obcecados por julgamentos apressados, hein ? Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas . Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça, ou uma benção ...
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da cidade foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.
Quem é obcecado por julgar de modo apressado, cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões e atitudes precipitadas. Nunca encerre a análise de uma questão de forma definitiva, pois um caminho termina onde outro começa, quando uma porta se fecha outra se abre. Assim é o curso da vida.
Evite, pois, brigar com o destino. Muitas coisas que nos acontecem, muitas curvas abruptas que enfrentamos no curso da vida, e que de início parecem trágicas, terríveis, se forem encaradas com serenidade e sem desespero, se transformarão em novas oportunidades, belos recomeços. E novo futuro estaremos dizendo: “Como foi boa para minha vida aquela mudança, que no início me pareceu trágica !”.
Por outro lado, nunca mergulhe de braços abertos e sem cautela naquilo que à primeira vista lhe parece uma vitória, uma bela conquista. Fique atento, pois poderá ser uma miragem, uma ilusão de sucesso.
Lembre, pois, Spinoza: “Nem rir, nem chorar. Apenas entender”.
J.C
18.09.2006
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