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Publicado em: 31/08/2006

Cuidado com a vontade; ela é uma péssima conselheira

Era uma vez, há muito tempo, um rico comerciante , chamado Adriano, que partira de Roma para voltar a sua terra natal, chamada Pérgamo, na costa da Turquia. Junto com Adriano viajavam alguns amigos e vários escravos. Os viajantes chegam ao istmo de Corinto e no porto de Concréias despacham suas bagagens para Atenas por via marítima, alugando carros puxados a cavalos para eles e os seus escravos a fim de chegar a Atenas pela estrada costeira.

Ao passarem pela cidade de Elêusis, Adriano percebe que um de seus escravos-secretários enviou pelo barco um livro de escritas das mercadorias que deveria ter sido levado pela estrada, e ficou furioso. Sem nada à mão para espancar o infeliz, ele tira do cinto um punhal embainhado e assenta golpes no dorso do escravo; a bainha do punhal se rompe e o escravo é ferido no olho, perdendo a visão.

Horas depois, passada a fúria, Adriano, homem refinado, chamou o escravo, perguntando-lhe que presente preferia, em compensação pelo que lhe acontecera. A vítima não respondeu. E o comerciante repetiu a pergunta e acrescentou que o escravo teria tudo que quisesse. A resposta foi: “Só quero meu olho”.

Acabrunhado, Adriano passa de um extremo ao outro, e entrega o punhal ao escravo, dizendo-lhe que o golpeei da mesma maneira, causando-lhe o mesmo dano que acabara de sofrer.

O escravo sorriu, tristonho, dizendo-lhe: “De que me adiantará isso, se ao final continuarei sem meu olho ? Prefiro que o senhor aprenda que deve sempre  deixar para o dia seguinte a decisão de punir alguém; pois a vontade é uma péssima conselheira .”

J.C.
31/08/2006


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