Verdadeira história de Lampião é apresentada no Salipi por sua neta

A neta de Lampião, Vera Ferreira, apresenta em Teresina o livro ?De Virgolino a Lampião?, recontado a trajetória de seus avós e desfazendo equívocos sobre a história dos dois.

Tamanho da letra:
A
A
Link permanente:
   

A programação do Salipi, desta quarta-feira, 06, traz dentro do Projeto Língua Viva, a neta de Lampião, Vera Ferreira, que fala do seu livro 'De Virgolino a Lampião?. A obra desfaz alguns equívocos da história de seus avós. Ela fala também do projeto de lançar um Memorial do Cangaço e da marca ?Lampião e Maria?, que visa gerar renda para um grupo de 20 mulheres do município Poço Redondo, em Sergipe, berço de pelo menos 40 cangaceiros, dentre os quais seis mulheres. ?O lugar ainda hoje é pobre e de oportunidades de emprego zero?, fala Vera, que é jornalista e escritora.

Com relação ao Memorial sobre o Cangaço, Vera Ferreira diz que ele será numa das cidades por onde o movimento passou. ?Se não der certo em Aracaju será em Salvador ou outra cidade?, observa e acrescenta, ?O memorial é de suma importância para a história e relevância do Cangaço. E já está passando do tempo de existir. O memorial facilitará a pesquisa, pois concentrará em um só lugar livros, cordel, música, objetos e muitas produções de arte e cultura surgidas a partir do Cangaço?, conta.

Maria Bonita e Lampião
Quais são os equívocos históricos que a senhora desfaz no livro ?De Virgolino a Lampião??

Vera Ferreira ? Não são bem equívocos. O livro tem começo, meio e fim e nele tento mostrar porque Virgolino passou para Lampião. Falo do encontro dos meus avós. Conta-se que ele a roubou do marido, isso não é verdade. Eles já se conheciam, minha avó era separada, eles namoraram um ano. Outra coisa que falam é que ele só bebia uísque. Ora, no sertão não se tinha facilidade para conseguir essa bebida, como até hoje não se tem. Outra coisa que levanto no livro é a importância da mulher para o Cangaço, falo também que foi a Dadá e não meu avô que introduziu os bordados nas roupas do Cangaço.

Você fala também que não foi seu avô o primeiro cangaceiro da história. Como ele se tornou cangaceiro?

Vera Ferreira ? Não foi mesmo. O primeiro registro que se tem conhecimento é de 1776, com o cangaceiro Cabeleira. Virgolino era de uma família pacata. O motivo da entrada dele no movimento foi para vingar a morte do pai, que foi assassinado por motivo banal, de briga entre duas famílias vizinhas os ?Pereira? e os ?Carvalho?. Tinha uma questão do poder político nisso tudo também. A família de meu avô era amiga dos Pereira. Na época quem estava no poder era a família Carvalho. Foi um fato que se podia resolver no diálogo e foi devido ao roubo de um bode. É uma história de impunidade, como ainda acontece hoje. Nove dias antes do assassinato, a mãe do meu avô morreu de infarto. Quando aconteceu o assassinato do pai, ele reuniu os irmãos e disse que a partir dali ia matar até morrer, isso em 1920.

E essa história de Virgolino ser o Rei do Cangaço?

Vera Ferreira - De 1920 a 1922 ele não tinha entrada em outros bandos, mas ele foi chefiado. De 1922 a 1938 ele foi chefiado pelo Seu Pereira.

A alcunha de Lampião vem de onde?

Vera Ferreira ? Meu avô era um exímio atirador. Conta-se que um dia um dos cangaceiros do seu grupo deixou cair um objeto e relatou para ele que na escuridão não conseguia encontrar. Então meu avô disse ? 'No clarão do meu rifle você procura? ? a partir daí nasceu o apelido Lampião, numa referência a este fato.

Também não é verdade que sua Avó era conhecida como Maria Bonita?

Vera Ferreira ? Exatamente. Ela  era Chamada de Maria do Capitão ou simplesmente Maria. Agora, pelas fotos vejo que minha avó era de fato bonita. Ela teve quatro gestações, mas só uma vingou que foi a de minha mãe.

Fale mais sobre a grife Lampião e Maria?

Vera Fereira ? A marca foi feita pela design industrial Germana de Araújo, são camisetas, bornais e biojóias. As camisetas vão contar a história. É uma fonte de geração de renda para as mulheres de Poço Redondo, mas também uma forma de chamar atenção para a necessidade de se criar o Memorial do Cangaço.

Serviço:
Contatos para palestras e exposições itinerantes e informações sobre a grife: lampiao.maria@gmail.com, (79) 9991.4088.

Adriana Cláutenes Lemos
06.06.2007

 

Comentários

Nenhum comentário cadastrado. Seja o primeiro!

Deixe seu comentário

Seu comentário *