Uso exagerado de inseticida está dificultando o combate ao mosquito

Mais de 260 cidades brasileiras estão em alerta por causa da dengue.

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Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná e do Instituto Osvaldo Cruz, do Rio de Janeiro, mostra que o uso exagerado de inseticida está dificultando o combate ao mosquito. O que reforça a importância de impedir que ele se reproduza em nossas casas. Para fazer testes, pesquisadores têm uma criação de mosquitos, que são mantidas em duas salas com temperatura controlada. Parte é de insetos coletados no Brasil, em áreas com dengue. A outra amostra é dos Estados Unidos, criada em laboratório e nunca teve contato com inseticidas. Ela é importante, porque serve como referência.

?Aquilo que matar esse mosquito vai ser sempre uma concentração, uma quantidade pequena de produto. É em cima disso que a gente compara com aquilo que vem do campo. Quando ultrapassa, a casa dá quatro vezes mais do que isso, a gente já começa a ter problema. No laboratório a gente já viu 10 vezes, 11 vezes?, explica Mário Navarro, pesquisador da UFPR.

Existem duas formas de testar a resistência. Nas larvas, o veneno é aplicado diretamente nas amostras, para verificar quantas morrem. Para os mosquitos adultos é usado o teste de DNA.

Os pesquisadores usam máquinas especiais para separar os genes dos insetos. O resultado aparece em uma tela. Amostras com dois riscos, e outra que tem um risco mais abaixo morrem com o inseticida. Mas se o risco aparece um pouco mais acima, isso significa que o inseto é resistente ao veneno. ?Mesmo que eu coloque um inseticida em uma determinada quantidade, provavelmente ele vai sobreviver e vai deixar descendentes?, alerta.

Quando se usa inseticida em um ambiente, nem todos os mosquitos morrem. Só os sensíveis ao veneno, que normalmente formam a maioria. Os mosquitos que sobreviveram, justamente os resistentes, vão se reproduzindo, e com o tempo, podem ficar em maior número. É por isso que muitas vezes aquele inseticida que antes funcionava bem, deixa de fazer efeito. ?Ela é uma ferramenta que deve ser utilizada como se fosse em um incêndio. 'Começou a pegar fogo, eu não tenho outro jeito', agora, não de uma forma preventiva?, indica.

Por isso, o jeito mais eficaz de combater o mosquito da dengue é, uma vez por semana, eliminar a água parada. ?A população cuidando da sua casa, o poder público cuidando das áreas públicas, fornecendo água com regularidade, recolhendo essa água através de canalização adequada, a gente vai diminuindo as chances de opções de criadouros para o mosquito?, alerta o pesquisador.

Piauí
De acordo com a Secretaria de Saúde do Piauí, o número de casos da doença este ano aumentou 19% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 469 casos de dengue em 2012, contra 394 de 2011 nos meses de janeiro e fevereiro. O número bate com os divulgado pelo Ministério de Saúde, que coloca o Piauí sem risco de surto para a doença.

A capital do Piauí, Teresina, lidera o número de casos no estado. Foram registrados até o dia 10 de fevereiro, 227 notificações. Floriano vem em seguida com 77. Apenas um caso de Dengue com complicação foi registrado em Oeiras.

Veja as cidades com mais casos da doença em 2012
    Teresina (227 casos)
    Floriano (77 casos)
    S. Raimundo Nonato (75 casos)
    Beneditinos (27 casos)
    Sebastião Leal (10 casos)
    Agua Branca (8 casos)
    Piripiri (7 casos)


Fonte: Jornal Hoje/ Jornal O Dia
Edição: F.C.
16.02.2012

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