A Humana Saúde

A Humana Saúde

Agora, ao ser humano moderno, rodeado pela indústria cultural, pela "comunicação de massa" (web, tv, imprensa, rádio) não se pede outra coisa, senão que se deixe levar, sendo-lhe provocados desejos convenientes, segundo suas já estudadas inclinações, seus "impulsos inconscientes". Não podendo ser esquecido que a mais importante das compensações narcóticas de que é merecedor é a fuga pelo sonho, aqui e acolá convém apresentar-lhe alguns ideais morais, de preferência inatingíveis, de modo que não se modifique o estado de coisas. É-lhe incutida, desde muito cedo, a idéia de que a uma pergunta não pode corresponder mais do que uma resposta: dos exames escolares às provas das ordens e conselhos, passando pelas pesquisas de opinião e pelo democrático voto eleitoral, escapa-lhe a natureza do paradoxo, o aprofundamento de temas, a polêmica. Respeitando a opinião do outro, não por propósito, mas por desinteresse, o homem moderno leva os "clichês", os lugares-comuns, até às últimas consequências.

Será que é por tudo isso que se diz agora que "a história acabou" ? Se assim é, uma nova história, um novo curso está a se iniciar para o homem, entre tantas idas e vindas de que é tecida a evolução humana. Recém conectado ao universal, plugado ao distante, ao remoto, ao dessemelhante, ele desligou-se do contíguo, daquele que está próximo, do igual, do vizinho, do semelhante - este o assusta, aquele o encanta . Beyoncé, Lady Gaga, New York, Madonna, Paris, Nilmar, o Papa, Gisele Bunschen, Angelina Jolie, "Big-Brother", Roma, são entes vivos, ativos, pulsantes; já o vizinho, o colega, o irmão, o próximo, o passante, são seres bizarros, estranhos, soturnos, ameaçantes.

E agora, e aí, como fazer para reagrupar o que está tão perto e se tornou tão distante, nessa nossa tribo estilhaçada ?

Como fazer contato real com alguém que desde cedo é educado de modo a que a confusão e a incerteza sejam colocados como fundamento de cada um dos seus gestos?

Como poderemos conversar com esta multidão de próximos-distantes às vezes silenciosos e às vezes vociferantes; esse mundo de vendedores de salsichas, mel, drogas, incenso e mirra, alho, conselhos, água, jazigos, livros e panos sagrados, inspetores públicos, cambistas de moedas, controladores de contratos, perfumistas, mercadores de escravos, padeiros, alcoviteiros ... ?

Como fazer para que o "cidadão-massa", reduzido à obediência aos variados "slogans" publicitários, possa se ver e se cuidar, num momento em que o eclipse atingiu o seu limite ?

Qual a esperança de diálogos, neste cenário de frases incompreensíveis no qual a lógica regride ao irracional, para uso e consumo das multidões admiradas e democráticas, ávidas pelo debate público e indigente dos locutores ?

Nossa capacidade de comunicação atingiu seu cume e seu abismo - nunca se teve tantas ferramentas para chegar próximo ao outro, mas nunca estivemos tão distantes, nestes tempos de "o inferno é o outro", pois o que está perto tornou-se risco, ameaça, perigo, assalto, assédio !

Que nova alma, novo ânimo poderemos opor à maré ascendente da vulgaridade ?

Seja qual for o futuro desta nova civilização, ela se inscreverá nas paredes das novas cavernas, com pinturas rupestres inscritas por autores anônimos e inquietos, em mensagens incitantes delineadas pelas tintas indeléveis da www.

Assim, venha, passeie, mergulhe em nossa teia, em nossa tribo, e envie orações aos seus deuses. Bem-vindo à nossa caverna: humanasaude.com.br

José Cerqueira Dantas
Diretor Presidente

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